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A morte de Benazir Bhutto

Benazir Bhutto, que já tinha sido chefe de governo, candidatava-se novamente a esse cargo nas próximas eleições, marcadas para o dia 8 de Janeiro, no Paquistão. Benazir Bhutto tinha sido alvo de vários atentados terroristas e um desses atentados custou-lhe agora a vida. O futuro do Paquistão surge assim como muito sombrio.
A ex-primeira-ministra Benazir Bhutto tinha encetado tentativas de fazer um acordo com o presidente Musharraf, essas tentativas nunca tinham sido verdadeiramente bem sucedidas. Efectivamente, a estabilidade do Paquistão poderia precisamente vir das boas relações entre a ex-governante e o actual presidente. Com a morte de Benazir Bhutto a instabilidade vai seguramente se instalar de forma indelével no Paquistão. O facto de Bhutto ser mulher e pró ocidente causava profundo desagrado aos islamitas radicais e a seu regresso à política do Paquistão não era vista com bons olhos pelos militares. Hoje, dia 27 de Dezembro, foram bem sucedidos na sua missão.
A pior notícia para o Paquistão e para o mundo seria a preponderância do islamismo radical na política do Paquistão. Recorde-se que estamos a falar de um país dotado de armas nucleares, localizado geograficamente numa zona de alguma sensibilidade. Na conjuntura actual, o assassinato de Bhutto representa uma derrota inexorável da ala mais democrata e mais moderada da política paquistanesa. Recorde-se igualmente a importância que o Paquistão tem tido historicamente nos destinos do Afeganistão. E o facto do Paquistão ser um dos grandes aliados dos EUA na guerra contra o terrorismo.
O recrudescimento do radicalismo poderá destabilizar um país que não tem conhecido períodos de verdadeira estabilidade. E com a notória agravante de que a morte de Benazir Bhutto dá um contributo indubitável para o aumento dessa instabilidade. Sublinhe-se a coragem de Benazir Bhutto que, apesar de ter sido vítima de inúmeros ataques terroristas, não desistiu de continuar a lutar politicamente pelo seu país.
De facto, as críticas, feitas por Bhutto, à Al-Qaeda e ao islamismo radical foram determinantes para este desfecho trágico. Poucas pessoas, naquela região do globo, se atrevem a se insurgir contra o fundamentalismo islâmico. Benazir Bhutto foi uma dessas poucas vozes. E nem sequer as acusações de corrupção que recaíram sobre Bhutto durante o tempo que desempenhou funções de primeira-ministra ensombram a coragem e a perspicácia política de uma das poucas mulheres a ter alguma preponderância na vida política paquistanesa. O futuro do Paquistão é agora muito mais complicado do que ontem. A instabilidade e o terror vão seguramente aumentar exponencialmente.

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