Avançar para o conteúdo principal

Tristes espectáculos

Os debates no parlamento sobre o Orçamento de Estado para 2008 têm sido o espelho de uma classe política manifestamente pobre e insidiosa. A comunicação social interessa-se apenas por mostrar os sound bytes do costume, e a classe política tudo faz para proferir esta ou aquela tirada que vai fazer a manchete dos jornais ou abrir os noticiários das televisões. O debate no parlamento sobre o Orçamento de Estado mostrou uma vez mais a qualidade, ou melhor ausência dela, patente nos partidos políticos, designadamente nos principais partidos políticos.
O Governo, com a sua habitual sobranceria, não se limitou a defender a sua proposta para o OE 2008, ao invés, tudo fez no sentido de aniquilar o líder da bancada do PSD que, por sua, vez, mostrou a tibieza e incongruências a que já nos tinha habituado não há muito tempo. E no meio, a discussão sobre o OE resumiu-se às propaladas medidas sociais do Governo e às suas conquistas em matéria de défice, por um lado, e por outro, ao deplorável estado do país advogado pelos partidos da oposição.
De facto, é de um espectáculo que se tratou – mas de um triste espectáculo que enfraquece qualquer esperança que se possa eventualmente ter num país que se afunda num atoleiro de incompetência e de irresponsabilidade.
O que é que nos resta quando verificamos, com cada vez maiores certezas, que não existe verdadeira alternativa política? De um lado temos um Governo que não esconde os seus laivos autoritários e neoliberais; e por outro, temos uma oposição raquítica e inane. De uma coisa podemos, no entanto, estar certos: a escolha a fazer em 2009 advinha-se ser uma tarefa verdadeiramente hercúlea.
De qualquer modo, ficamos mais ou menos a saber que a carga fiscal pouca ou nenhuma alteração sofrerá até 2010; ficamos a saber que o tão famigerado aperto do cinto durará mais alguns anos – dependendo também da conjuntura internacional, em particular do desfecho da crise dos mercados financeiros, o preço do petróleo, a desvalorização do dólar face ao euro, etc. Mas essencialmente ficamos a saber que o Governo e a oposição é constituída por verdadeiros artistas que proporcionam espectáculos dignos desse nome – pena é que são estes artistas que influenciam e determinam tantos aspectos das nossas vidas. E vendo bem, nem isto será propriamente novidade.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Dança das cadeiras com a Alemanha a mandar

A Alemanha voltou a mostrar quem manda na União Europeia, desta feita através de uma jogada política de última hora que, na prática, resultará na escolha de Ursula Von Der Leyen para o cargo de Presidente da Comissão Europeia, substituindo Jean-Claude Junker. A jogada de Merkel deixou os socialistas exasperados por não cumprir o sistema de escolha de um dos Spitzenkandidaten, cabeças de lista. A escolha de Ursula Von Der Leyen que contará com alguma oposição (vamos ver quanta) no Parlamento e a escolha de Lagarde para o BCE são derrotas para os socialistas europeus, mas também deixam um sabor amargo na boca dos cidadãos europeus que assistem a estes golpes encabeçados por países como a Alemanha e a França e seus acólitos, tudo em manifestações pouco consonantes com a democracia. Estas escolhas demonstram uma vez mais que na dança das cadeiras é a Alemanha que manda numa Europa à deriva, a milhas de distância dos seus cidadãos.

Um desastre climático por semana

A frase em epigrafe foi proferida por Mami Mizoturi, representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas - "um desastre climático por semana". Torna-se impossível não perceber a gravidade das alterações climáticas quando o ritmo dos desastres climáticos é tão acelerado.
Ora, este responsável acrescenta ainda que "as alterações climáticas não são do futuro, acontecem hoje". Isto depois do próprio secretário-geral das Nações Unidas ter feito capa da Time dentro de água, desalentado. O desespero é evidente.
A estratégia sugerida passa, desde já, por mais investimento em infra-estruturas, ou seja procurarmos uma adaptação às mudanças. Já.
No meio de cenários tão desoladores, encontramos ainda assim uma boa notícia: a cada vez maior visibilidade e assimilação do problema, o que implicará uma maior pressão, uma militância mais acérrima e uma maior exigência de uma inexorável mudança.
Está a chegar o dia em que líderes como Trump deixem d…