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Paquistão: estado de emergência

O Presidente Pervez Musharraf decretou, no passado dia 3 de Novembro, o estado de emergência no Paquistão. Ora, esta medida pouco ortodoxa vem contribuir para a destabilização de um país, mais ou menos desconhecido para muitos, mas cuja importância é inelutável. Recorde-se que o Paquistão é um dos principais aliados, na região, dos EUA na luta contra o terrorismo, recorde-se também o crescente islamismo radical que grassa neste país, e relembre-se, por último, o facto do Paquistão possuir armas nucleares.

A instauração do estado de emergência parece ser a resposta do Presidente Musharraf àquilo que ele considera um ingerência da justiça em assuntos políticos – o juiz-presidente do Supremo Tribunal de Islamabad foi afastado do cargo. Esta medida imposta pelo Presidente e general que lidera os destinos do Paquistão é mais um sinal da crescente destabilização do país que assiste ao recrudescimento do radicalismo islâmico, por um lado, e às tentativas com laivos de despotismo do seu Presidente de se manter no cargo. E se o Paquistão não tem sido o melhor exemplo em matéria de democracia, não é menos verdade que essa situação parece conhecer novos e preocupantes desenvolvimentos.

A comunidade internacional tem mostrado o seu tímido desagrado com esta medida do Presidente Musharraf – a importância sui generis do Paquistão, quer do ponto de vista geopolítico, quer do ponto de vista geoestratégico, condiciona as reacções de países como os EUA e o Reino Unido. Estes países esperam que a situação paquistanesa evolua positivamente e que se regresse à possível normalidade. Ou por outras palavras, o Paquistão é demasiado importante para que o contrário seja aceitável. Note-se que a instabilidade tem vindo a crescer no Paquistão – há algumas semanas Benazhr Bhutto, ex-primeira-ministra paquistanesa, sofreu um atentado terrorista que custou a vida a 140 pessoas.

Com efeito, a incerteza em relação ao futuro do Paquistão causa profunda inquietação. Estamos a falar de um pilar essencial da luta contra o terrorismo, o que tem causado inúmeras críticas ao Presidente Musharraf que é permanentemente acusado de ceder excessivamente aos ditames americanos. Além disso, este é um país que não pode cair nas mãos dos fundamentalistas islâmicos, sabendo-se que esse radicalismo tem muitos seguidores e é ensinado em madrassas aos mais jovens. Paralelamente, este é o mesmo país que mantém uma contenda com outro país apetrechado de armas nucleares sobre Caxemira – a Índia. Com esta mescla de instabilidade, conflitos, radicalismo islâmico e armamento nuclear, o Paquistão necessita urgentemente de retomar o caminho da estabilidade e democracia.

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