segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O triunfo do Estado paternalista

Hoje, mais do que nunca, o Estado adopta uma posição paternalista em relação aos seus cidadãos, só falta mesmo entrar por nossas casas adentro e dizer aquilo que podemos fazer e o que não devemos ou estamos proibidos de fazer. Senão vejamos: a proibição de fumar em determinados locais públicos por razões de saúde pública esconde por trás a incessante tentativa de ostracismo dos fumadores – estes são os novos párias de sociedades que se pretendem impolutas, mas que no fundo tudo fazem para esconder as suas podridões.
A mensagem do Governo, quer em relação ao tabagismo, quer em relação a outras intromissões disfarçadas de pedagogia aparentam ser um passo no sentido certo. De facto, o tabaco provoca malefícios conhecidos, e procura-se preservar a saúde pública; o problema é que este Executivo do “oito e do oitenta” é incapaz de saber fazer passar a mensagem. Ora, a ideia que é veiculada pelas mentes sapientes dos governantes é a de que os fumadores não são mais do que uma espécie de caruncho da sociedade. Mas a pedagogia do Governo não fica por aqui: afinal de contas as sociedades debatem-se com problemas de saúde alegadamente resultado da obesidade, e qual será o futuro do combate a este mal que fustiga os países ocidentais? Até onde vai a pedagogia e restrições deste Governo e de outras mentes brilhantes da União Europeia? A UE já procura formas de dizer o que podemos ou não comer, será que proibir alimentos que contribuam para o excesso de peso será um próximo passo?
E no que concerne ao consumo de álcool, qual é o futuro? Todos sabemos que o consumo excessivo de álcool está, em alguns casos, relacionado com a sinistralidade nas estradas, colhendo vidas atrás de vidas. Também se vai procurar proibir a venda deste produtos, quiçá em estabelecimentos de diversão nocturna? Visto que os limites impostos por lei relativamente à condução sob o efeito do álcool são constantemente desrespeitadas. Será esse o caminho? Uma espécie de lei seca?
Claro que estes dois últimos exemplos são exacerbados e desfasados da nossa realidade, a que conhecemos hoje. Todavia, o caminho do Estado paternalista não se ficará pela proibição de fumar em locais públicos, e nem tão pouco os párias serão só os fumadores. Entretanto já assistimos com naturalidade à estigmatização de pessoas com excesso de peso – sempre, no discurso do politicamente correcto, por razões de saúde. O Estado paternalista procura moldar os cidadãos com recurso a um discurso aparentemente bem intencionado. Procura-se uma sociedade aparentemente saudável, sem vícios, próxima da perfeição, procura-se que os cidadãos sejam perfeitos. Mas simultaneamente, desiste-se da luta contra a droga, permitindo mesmo que qualquer pessoa possa ter na sua posse droga suficiente para consumo até 11 dias; permite-se que o discurso oficial sobre a toxicodependência seja laxista e irresponsável. Enfim, tratam-se de algumas contradições do Estado perfeito, com o primeiro-ministro desportista e perfeito à cabeça. E de qualquer modo, quem é que está mesmo com atenção?

1 comentário:

sonia disse...

Onde é que já ouvi esta conversa:)? Tens toda a razão, no entanto, acho que há um espaço para todos...e o bom senso das pessoas deve permanecer, quando o há...:)