Avançar para o conteúdo principal

Mentalidade bacoca

Nós somos indubitavelmente o país do oito e do oitenta, ou pelo menos os nossos governantes confirmam essa premissa. Um exemplo elucidativo da mentalidade bacoca que impregna o país é o menosprezo a que as humanidades foram votadas nestes últimos anos. Constatou-se que as ciências e as novas tecnologias são elementos essenciais ao desenvolvimento dos países e, simultaneamente, relegou-se as humanidades para um segundo plano. A acção saloia deste Governo que descobriu a pólvora com as novas tecnologias é sintomática da pequenez de quem nos governa.
O actual Executivo olha para as humanidades com um desprezo arrepiante, ao ponto de reduzir a importância da filosofia no ensino secundário. Dir-se-á que a supremacia e a pujança de uma economia passará inelutavelmente pela ciência e pela investigação – não se refuta essa afirmação; agora não é possível apostar-se tudo nisso e ignorar-se a importância de outras áreas. De facto, não é de estranhar este comportamento do Governo, veja-se a forma como o Executivo de José Sócrates tem tratado a cultura – que, diga-se em abono da verdade, nunca foi tratada condignamente –, e também aqui prevalece a mentalidade saloia que gasta milhões em colecções estrangeiras (não se retirando o mérito dessas colecções) mas ao mesmo tempo não tem dinheiro para manter em pleno funcionamento o Museu de Arte Antiga, por exemplo.
Este súbito deslumbramento dos nossos governantes com a vanguarda disto e daquilo é representativo da pobreza intelectual que predomina na classe política. Os Srs. Ministros que tanto apregoam o que de bom se faz no estrangeiro, deveriam olhar com atenção para as grandes universidades americanas e inglesas e verificar que as mesmas não ignoraram as humanidades.
A aposta na ciência, tecnologia, inovação e investigação não é sequer questionável, o que não implica, todavia, que se despreze as artes plásticas, a literatura, a filosofia, a História, etc. Não é com exemplos de pequenez intelectual que vamos lá…seja lá onde isso for.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Dança das cadeiras com a Alemanha a mandar

A Alemanha voltou a mostrar quem manda na União Europeia, desta feita através de uma jogada política de última hora que, na prática, resultará na escolha de Ursula Von Der Leyen para o cargo de Presidente da Comissão Europeia, substituindo Jean-Claude Junker. A jogada de Merkel deixou os socialistas exasperados por não cumprir o sistema de escolha de um dos Spitzenkandidaten, cabeças de lista. A escolha de Ursula Von Der Leyen que contará com alguma oposição (vamos ver quanta) no Parlamento e a escolha de Lagarde para o BCE são derrotas para os socialistas europeus, mas também deixam um sabor amargo na boca dos cidadãos europeus que assistem a estes golpes encabeçados por países como a Alemanha e a França e seus acólitos, tudo em manifestações pouco consonantes com a democracia. Estas escolhas demonstram uma vez mais que na dança das cadeiras é a Alemanha que manda numa Europa à deriva, a milhas de distância dos seus cidadãos.

Um desastre climático por semana

A frase em epigrafe foi proferida por Mami Mizoturi, representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas - "um desastre climático por semana". Torna-se impossível não perceber a gravidade das alterações climáticas quando o ritmo dos desastres climáticos é tão acelerado.
Ora, este responsável acrescenta ainda que "as alterações climáticas não são do futuro, acontecem hoje". Isto depois do próprio secretário-geral das Nações Unidas ter feito capa da Time dentro de água, desalentado. O desespero é evidente.
A estratégia sugerida passa, desde já, por mais investimento em infra-estruturas, ou seja procurarmos uma adaptação às mudanças. Já.
No meio de cenários tão desoladores, encontramos ainda assim uma boa notícia: a cada vez maior visibilidade e assimilação do problema, o que implicará uma maior pressão, uma militância mais acérrima e uma maior exigência de uma inexorável mudança.
Está a chegar o dia em que líderes como Trump deixem d…