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Bienvenu à la Maison Blanche

Foi com estas palavras que George W. Bush recebeu o Presidente francês, Nicolas Sarkozy. Estas palavras e a visita do Presidente francês a Washington simbolizam um virar de página nas relações, outrora difíceis, entre os dois países. As relações conturbadas entre Washington e Paris sofreram uma acentuada deterioração com a guerra do Iraque. Recorde-se que Jacques Chirac foi um feroz crítico da guerra do Iraque e do unilateralismo adoptado pelos EUA.
Nicolas Sarkozy tem, no entanto, uma visão diferente daquilo que devem ser a relações entre os EUA e a França, mais direccionada no sentido da cooperação e amizade, e menos assente na crispação e oposição. E se a intervenção americana no Iraque revestiu-se de uma inaceitável opacidade e unilateralismo, já estará na altura de se procurar encetar esforços no sentido de resolver problemas prementes como é o caso da instabilidade no Iraque e Afeganistão; já para não falar da emergência de se procurar pontos de convergência para evitar a emergência de um Irão dotado de armas nucleares.
Assim, Nicolas Sarkozy adoptou uma outra postura, dir-se-á mais pragmática, de aproximação aos EUA. Esta nova posição adoptada pelo o actual Presidente francês é profícua, no sentido em que se procura a cooperação. Até do ponto de vista europeu, não se pode deixar de sublinhar a importância desta aproximação – parece haver hoje, na UE, uma maior convergência de posições dos países com maior peso político: Alemanha, Reino Unido, e a França.
A instabilidade que se vive no Iraque, não obstante ter sido criada pela intervenção militar americana, necessita de soluções urgentes e não tanto das divergências inconciliáveis no seio da comunidade internacional. A guerra no Iraque dispensa quaisquer comentários, tendo em conta o muito que se escreveu e disse sobre o assunto – a guerra foi um erro, mas agora é tempo de soluções. A ideia de que este é um erro americano e que, por conseguinte, deve ser resolvido pelos americanos é um equívoco. A instabilidade no Iraque e as reiteradas tentativas hegemónicas do Irão não constitui um problema exclusivo dos EUA.
Além disso, a suposta superioridade moral mais ou menos latente da Europa em relação aos EUA não têm trazido quaisquer mais-valias à política incipiente política externa da UE.
Com efeito, a guerra do Iraque dividiu a Europa, e a França foi o rosto mais visível dessa divisão; contudo, o actual Presidente francês prefere uma aproximação a um país que cometeu erros, é certo, mas que ainda assim partilha os mesmos valores democráticos e apregoa as mesmas liberdades.
Por outro lado, de que modo é que a intransigência e a rejeição do diálogo com os EUA podem ajudar a resolver as complexidades relacionadas quer com a instabilidade de determinadas regiões, quer com o terrorismo internacional? A intervenção americana no Iraque, fruto da teimosia e do unilateralismo da Administração Bush, produziu os resultados conhecidos. Mas não adianta continuar-se a demonizar os EUA e pouco mais – não será essa a solução para este e para outros problemas que entretanto eclodiram. O caminho escolhido por Nicolas Sarkozy é outro: é o da aproximação e da conjugação de esforços com um país que, não obstante os desastres da sua política externa, continua muito próximo da Europa, e naturalmente, da França.

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