Avançar para o conteúdo principal

James Watson

James Watson, reputado cientista, talvez tenha conseguido que o seu nome se tornasse ainda mais conhecido, mas pelas piores razões. Este conceituado cientista proferiu algumas considerações, no mínimo polémicas, acerca de uma suposta inferioridade, ao nível da inteligência, dos negros. Naturalmente, essas declarações deram azo aos mais diversos comentários e críticas – no meio dessa panóplia de considerações existe quem se insurja com a subsequente tentativa de silenciamento do cientista e quem manifeste que o silêncio é, desde logo, a melhor forma de se lidar com as palavras do cientista.
As declarações de Watson não têm um fundamento científico, são, antes de mais, considerações pessoais da figura central desta polémica. Ora, o que é grave nesta questão nem é tanto o conteúdo das imbecilidades proferidas, mas antes a reputação de quem as proferiu e a sua credibilidade como cientista, laureado com o Prémio Nobel. E esta não terá sido a primeira a vez que Watson nos brinda com os seus preconceitos. Note-se que a tentativa de inferiorizar uma raça, numa confusão entre ciência e opinião, não tem outro nome que não seja racismo. E mais: num mundo em que as supostas diferenças entre as raças são reiteradamente postas em evidência, através de discriminações mais ou menos latentes nas nossas sociedade, estas declarações revestem-se de uma gravidade que não passa, obviamente, em claro.
O cientista em questão já fez uma tentativa de corrigir o erro, contudo, o mal já está feito. É com esta polémica como pano de fundo que importa referir que a discussão sobre o silenciamento do autor das declarações está a ter lugar. Muitos asseveram que o cientista não deve ser silenciado, e por vezes incorre-se em erros e confusões acerca da ciência, quando o que está em questão são observações, proferidas por um cientista, é certo, mas sem uma demonstração científica. Por outro lado, outros sublinham a necessidade de silenciar a voz de Watson. Porém, a atitude mais sensata será a de refutar e criticar severamente obtusidades desta natureza, não dando importância excessiva e lidando com a situação como se de uma imbecilidade se tratasse. Quando é mesmo disso que se trata.
De facto, todas as discussões em volta desta polémica, embora sendo inevitáveis, não se devem prolongar excessivamente no tempo, sob pena de se estar a perpetuar uma discussão que nem sequer merece a atenção que lhe tem sido dada. Aliás, quanto mais se discute estas imbecilidades maior será o contributo para que as mesmas tenham a atenção que não merecem. A autora deste texto não dará mais nenhum contributo para esta discussão.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...