terça-feira, 30 de outubro de 2007

Conflito israelo-palestiniano e os radicalismos que lhe subjazem

Quando se fala em Médio Oriente, acaba-se invariavelmente por referir o conflito israelo-palestiniano, e quando assim é, não raras vezes insiste-se na radicalização de posições – ou se entende incondicionalmente o lado palestiniano ou se faz o mesmo com as razões israelitas. Esta é, claramente, uma questão complexa e que acarreta dificuldades nas possíveis soluções para o infindável conflito que parece separar indelevelmente israelitas e palestinianos.

É possível compreender os argumentos de uns e de outros, porém, não se pode aceitar, que para se atingir um determinado fim, se recorra ao terrorismo. Essa deverá sempre ser uma posição inexpugnável.

Se somos capazes de perceber as razões de um povo que tem de viver sob o jugo de um outro povo (israelita no caso em discussão), com manifestas dificuldades económicas e vendo que a possibilidade de viver num Estado independente é-lhe reiteradamente vedada; não é menos verdade que reconhecemos as dificuldades de um povo minoritário que luta diariamente pela sua sobrevivência e pela continuidade da sua nação. E como alguém terá dito, com particular acutilância, Israel é o único Estado do mundo que é permanentemente posto em causa.

É, assim, possível verificar as dificuldades com que dois povos têm de lidar diariamente. Uns ambicionam a criação do seu Estado, outros lutam para que a existência do seu Estado não cesse. Consequentemente, não tem sido seguramente profícua a radicalização de posições que não são exclusivas deste ou daquele país – este é um mal generalizado e que afecta particularmente quem tem o poder de tomar decisões. O caso dos EUA, que falharam inexoravelmente nas suas políticas para o Médio-Oriente, designadamente para o conflito israelo-palestiniano, é paradigmático do erro do apoio total a um dos lados em conflito. O apoio cego e incondicional a uma só parte tem condenado o conflito à sua perpetuação ao longo de largas décadas. E por outro lado, importa referir que posição diametralmente oposta também tem prejudicado a resolução do conflito – muitos líderes mundiais, e não no Médio Oriente tem dado um péssimo contributo – ao apoiarem cegamente a causa palestiniana – para esta melindrosa questão.

Infelizmente, muito se continuará a dizer, escrever ou decidir, sempre numa perspectiva de apoio absoluto a um dos lados. Por vezes parece quase inevitável adoptar-se uma posição de apoio total relativamente a um dos lados, mas recorde-se que tem sido essa atitude de acentuada intransigência que mais tem dificultado a paz para a região. Enquanto se insistir em erros desta natureza, a paz será sempre uma utopia.

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