
Luís Filipe Menezes foi o candidato vencedor das eleições directas do PSD. Depois do período conturbado de acusações mútuas, de falta de transparência e de deterioração da imagem do PSD, a boa notícia é que as eleições chegaram ao fim. A má noticia é que o PSD sai manifestamente prejudicado com toda esta campanha eleitoral interna e o futuro do partido não será o mais lisonjeiro. A liderança mudou, mas ninguém pode honestamente afirmar que não ficou com um gosto amargo depois desta eleição. Se por um lado, nenhum dos candidatos primou pela discussão de ideias e de projectos, muito pelo contrário, cingiram-se a questões acessórias; por outro lado, e paradoxalmente, ganhou o candidato mais populista e mais inconsequente.
O que é taxativo é que o partido e o país perderam muito com estas eleições. Perdeu o partido que parece cada vez mais vazio de pessoas sérias, competentes e fundamentalmente, o partido está vazio de ideias. O candidato que venceu estas eleições fez nesse particular uma campanha próxima de Marques Mendes – uma campanha em que as ideias ficaram de fora dos debates e das intervenções dos candidatos, mas houve uma diferença entre os dois candidatos: Menezes mostrou-se periclitante na exposição das (poucas) ideias e levou a campanha para os recantos da ignomínia, colocando epítetos lamentáveis no seu opositor. Marques Mendes manteve alguma sobriedade na campanha eleitoral. Mas parece que essa sobriedade caiu em desuso no que toca ao jogo político.
Luís Filipe Menezes é uma incógnita. Sabemos apenas que está à frente de uma importante autarquia, e que tem feito um bom trabalho. Sabemos que o seu estilo é próximo da demagogia (pode ser que entretanto mude), sabemos também que resvala facilmente para a conflitualidade e comete excessos de linguagem. Não sabemos muito mais, aliás, no que toca ao que o agora líder do PSD pensa sobre um variado conjunto de assuntos, não sabemos praticamente nada. A campanha foi uma oportunidade perdida nesse aspecto. Aquilo que é sobejamente conhecido é o estado lastimoso a que chegou um partido como o PSD.
Os militantes votaram claramente no sentido da mudança, fica, porém, a incerteza se essa mudança será para melhor. Há um aspecto que é evidente: o partido está dilacerado, e o líder terá uma tarefa hercúlea no sentido de conseguir a unidade do partido. E terá também de mostrar em que é que o PSD é diferente do Governo. Enfim, o PSD tem sido fustigado por más lideranças nos últimos anos, e não se consegue ver bem em que é que Luís Filipe Menezes pode ser diferente. Por aquilo que demonstrou nesta campanha, nada irá mudar na qualidade da liderança. Ou talvez Luís Filipe Menezes nos surpreenda pela positiva. Esperemos que sim, para bem do país.
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