domingo, 23 de setembro de 2007

PSD e 2009


O futuro do PSD, no que diz respeito à sua liderança, decide-se ainda este mês com as directas do partido. A liderança é discutida entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes. Independentemente de quem consiga vencer estas eleições, o que é facto é que o país precisa de um PSD forte e unido. Sem estas condições 2009 será uma brincadeira de crianças para o PS.

Se é inquestionável que o país, não obstante os números propagandeados pelo Governo, vai mal, não é menos verdade que as perspectivas de uma vitória do PSD são, paradoxalmente, longínquas. O actual Executivo não se coíbe de utilizar as técnicas de propaganda mais insidiosas, que vão desde a atribuição de computadores por ministros cuja relação com a educação é residual, até a esta profusão de números divulgados pelo Governo mas que não são corroborados por outras entidades cuja idoneidade não é posta em causa. Fica a sensação indelével de estarmos a ser enganados. O PSD tem de ser alternativa ao Governo, nesse sentido é fundamental que exista consenso em torno do futuro líder do partido, seja ele Marques Mendes ou Luís Filipe Menezes. Não é possível que o partido continue a definhar consequência das já habitais tricas partidárias. Por outro lado, o próximo líder do partido precisa de saber fazer passar a mensagem de um partido com ideias, com vontade de enveredar pelo caminho do progresso, um partido que fale a verdade ao país, um partido que oiça os cidadãos e as suas dificuldades. Em suma, é condição essencial que o PSD mostre as suas diferenças em relação ao PS e que saiba transmiti-las com clareza e transparência.

O PSD vai a eleições internas para a escolha do próximo líder, essa decisão cabe aos militantes que terão de escolher entre dois candidatos. Marques Mendes tem demonstrado alguma tibieza na forma como faz oposição, mas importa sublinhar que a falta de unanimidade no seio do partido tem dificultado o trabalho a Marques Mendes. Além disso, não é fácil fazer oposição a um PS que se metamorfoseou passando a ocupar o espaço mais à direita. Contudo, é possível fazer oposição, mostrando propostas concretas e diferentes da cartilha do Governo, é possível mostrar que o caminho adoptado pelo Executivo de José Sócrates está longe de levar o país ao desenvolvimento prometido.

Do mesmo modo, Luís Filipe Menezes tentará seguramente fazer o mesmo, porém algumas contradições da sua candidatura e falta de credibilidade poderão ser determinantes para o resultado destas eleições. Apesar de Marques Mendes não ter conseguido fazer a oposição almejada pelos militantes, é muito provável que os mesmos continuem a confiar a liderança do partido a Luís Marques Mendes. A credibilidade terá um peso determinante. Resta apenas esperar que, independentemente de quem ganhe as directas, os militantes confluam os seus esforços e determinação no mesmo sentido, apoiando o próximo líder do PSD. A unidade do partido é condição sine qua non para que 2009 não tenha o desfecho que já parece anunciado por muitos.

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