quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O regresso do Dalai Lama ao reino da hipocrisia


O Dalai Lama regressou a Portugal, e mais uma vez, não é recebido pelos responsáveis governativos portugueses. Será recebido por Jaime Gama, mas este não será um encontro de natureza oficial. Dalai Lama, líder espiritual e político, regressa ao reino da hipocrisia – Portugal.

A China parece ter exercido sobre Portugal uma espécie de pressão diplomática, chegando mesmo a enviar a Portugal um diplomata. É sobejamente conhecida a situação do Tibete sob o jugo da China; além do mais, a questão dos Direitos Humanos tem, na perspectiva do Governo português, dois pesos e duas medidas. É só olhar atentamente para a questão de Timor e agora para a forma como o Dalai Lama é recebido pelos responsáveis governativos portugueses.

Dir-se-á que o Governo português tenta apenas preservar as boas relações diplomáticas entre Portugal e China. Mas a questão não é apenas essa – o Governo português chafurda na sua própria hipocrisia na tentativa de manter relações económicas com o colosso asiático. E por outro lado, toda a política externa portuguesa caracteriza-se, em particular nos últimos anos, pela subserviência e pela primazia dos interesses económicos.

A China desrespeita os Direitos Humanos, e não obstante a sua condição de anfitriã dos Jogos Olímpicos – paradigma do respeito pelos direitos do homem – continua a desprezar os direitos humanos. O Tibete é subjugado pela China que se recusa a admitir a especificidade religiosa, cultural e política do povo tibetano.

Não se percebe como é que o Governo português cede com tanta facilidade aos ditames de Estados que desrespeitam os mais básicos Direitos Humanos. Seria assim tão grave receber oficialmente o Dalai Lama? As consequências para Portugal seriam desastrosas? Creio que não. Mesmo que o Governo chinês manifestasse desagrado pela atitude do Governo português, as consequências dificilmente seriam de monta. Além disso, o Governo português mostraria que a sua política externa não se caracteriza apenas pela subserviência; e os responsáveis governativos portugueses mostrariam ter personalidade e carácter, ao invés de manifestarem uma atitude hipócrita e mesquinha. Fica, todavia, esta imagem de uma pequenez de espírito de quem nos governa que envergonha o país e os portugueses.

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