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Iraque: a retirada

O Presidente americano George W. Bush afirmou, no Iraque, ser possível reduzir significativamente o número de soldados americanos no Iraque. Esta é uma inevitabilidade – analisando os números de vítimas no seio das tropas americanas. Não obstante os erros cometidos pela actual Administração americana, esta é a altura para se apontar possíveis soluções que permitam mitigar a violência que continua imparável no Iraque.

Uma retirada gradual só é possível quando o governo iraquiano conseguir garantir o mínimo de segurança, em particular para as regiões mais afectadas pela violência sectária. De qualquer modo, a retirada das tropas americanas, gradual e bem analisada, é uma inevitabilidade: por um lado, o povo iraquiano, não obstante os recorrentes episódios de violência, anseiam por um Iraque livre daquilo a que muitos consideram uma “ocupação”; por outro lado, os soldados americanos são alvos frequentes dos ataques terroristas que assolam a região.

Importa sublinhar, porém, que a retirada americana estará longe de solucionar os problemas nucleares do Iraque. A violência sectária continuará, a divisão entre sunitas e xiitas só poderá ser sanada pelo próprio povo iraquiano, sem interferências de grupos radicais que apenas semeiam a violência e o ódio, e com o apoio dos países vizinhos. De facto, o Iraque continua a ser um país dividido, a unificação e pacificação do país é tarefa que só pode ser incumbida ao povo iraquiano. Para tal, poderá haver a participação de países da região, mas o essencial só poderá ser levado a cabo pelos iraquianos.

Cabe agora aos EUA garantir que o Iraque está dotado dos meios necessários para a manutenção da ordem, para a segurança e estabilidade do país. É fundamental erradicar inexoravelmente o radicalismo que grassa na região e que alimenta episódios de uma violência atroz. Esta é a chave para uma possível pacificação deste país. Se ao invés o radicalismo continuar a corroer as bases do Estado Iraquiano todo o esforço no sentido da consolidação do Iraque será em vão.

O que está em causa não é apenas a estabilização do Iraque, mas também a estabilização do Médio Oriente. Sendo certo que o processo de estabilização do Iraque parece longínquo, é ainda assim e mais do que nunca necessário que o Iraque tenha as condições necessárias para que os iraquianos possam viver em paz. Neste contexto, a retirada, já aqui foi dito, é inevitável, mas deve igualmente ser acompanhada por uma análise criteriosa da situação e por um trabalho por parte dos americanos que permita que o povo iraquiano seja dono e senhor do seu destino, em paz e segurança.

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