
Se o PSD tem estado longe de ser o partido que outrora foi, agora essa distância parece aumentar incomensuravelmente. O clima de acusações mútuas entre apoiantes dos candidatos à liderança é lamentável e dá uma péssima imagem do principal partido da oposição. Fica-se com a indelével sensação de que vale tudo para se ganhar umas eleições internas. Ambos os candidatos têm prestado um mau serviço à nossa democracia, na medida em que são lestos nas acusações que fazem um ao outro, mas a sua postura de seriedade é posta em causa com este episódio pouco transparente dos cadernos eleitorais, quotas em atraso, etc.
É com este pano de fundo que o afastamento entre cidadãos e políticos se torna uma evidência cada vez mais clara. Ora, as divisões internas, tricas partidárias, acusações mútuas de irregularidades põem em causa a credibilidade e imagem do partido. Por outro lado, se estas questões não forem sanadas no seio do PSD, a unidade do partido poderá estar irremediavelmente comprometida. O PSD, nos últimos anos, não tem conseguido mais do que dar a imagem de um partido perdido e incipiente; agora, a imagem do partido sofre uma nova deterioração.
Os partidos políticos em Portugal têm dado um contributo essencial para a consolidação da democracia e para o desenvolvimento do país. Infelizmente, os partidos de direita atravessam um deserto de ideias e projectos para o país. Dir-se-á que o PS ocupou um espaço tradicionalmente ocupado por partidos de direita, mas essa questão não será a única responsável pelo estado dos partidos de direita. A pobreza do debate político, a fragilidade das lideranças, os jogos de bastidores e a substituição da competência pela bajulação estão a condenar os partidos (não só os de direita) à mais completa degradação. É precisamente isto que sobressai desta última semana de campanha interna dos candidatos às directas de sexta-feira. Se a factura não for paga pelo PSD hoje, certamente será paga em 2009 com uma derrota nas próximas legislativas.
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