quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Eleições no PSD


Depois do debate promovido pela SIC Notícias ficou-se com a indelével sensação que o futuro do PSD, que passa pelas mãos de um dos candidatos, não é propriamente promissor. O problema reside no facto de que desta forma o país continua a viver uma situação de desequilíbrio: um governo com maioria absoluta e a ausência de uma oposição digna desse nome.

Já se fala em 2009 como o ano de uma nova vitória de José Sócrates, e poucos são aqueles que equacionam a hipótese contrária – uma hipotética derrota do PS. Os arautos do PS fazem rasgados elogios ao desempenho reformista do Governo, e no caso da redução do défice esses elogios são secundados por números que indicam o sucesso do Governo nesta matéria, porém, mesmo este aparente caso de sucesso contém falhas significativas: a redução do défice tem sido feita à custa do aumento das despesas (aumento de impostos), ao invés de ser feita à custa da redução da despesa. Deste modo, os verdadeiros heróis da redução do défice são todos os contribuintes deste país!

De facto, a actuação do Executivo liderado por José Sócrates divide-se nas medidas políticas adoptadas pelo Governo, e pelo estilo dos seus membros, em particular o estilo adoptado por José Sócrates. Se no aspecto das políticas muito está por fazer, e muito do que foi feito é discutível, no aspecto do estilo resta apenas dizer que é exasperante e que varia entre a arrogância e a propaganda barata. Infelizmente, a oposição, no caso concreto o PSD, tem-se mostrado incapaz de fazer oposição a um primeiro-ministro que vende ilusões – a começar pela ilusão que lhe é fornecida pela sua equipa de comunicação e imagem que se esforça por transformá-lo num líder que pugna pela eficiência e por uma espécie de sapiência singular.

As eleições directas do PSD estão para breve, e os militantes tem a tarefa difícil de escolher entre um candidato que já manifestou ter dificuldades em liderar o principal partido da oposição, mas que guarda a sua imagem de credibilidade; e por outro lado, os militantes podem optar por um candidato que tem feito um trabalho exemplar na sua autarquia, manifestando também um maior ímpeto nas suas intervenções, mas parece ter igualmente problemas de credibilidade na medida em que essa mensagem parece ter falhado.

Entretanto o país aguarda melhores dias, a resignação já se instalou, e o Governo tem fortes perspectivas de permanecer mais quatro anos (após 2009). Lamenta-se, pois, a ausência de oposição que é um dos garantes da existência de um equilíbrio essencial ao país. Ora, pode ser que um dos candidatos vencedor das directas do PSD possa dar um novo contributo, e fundamentalmente possa fazer verdadeira oposição com a divulgação de ideias, projectos para o país, fazendo um combate político com maior eficácia.

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