Avançar para o conteúdo principal

Ainda a festa do avante


A festa do Avante volta a ter como convidado o Partido Comunista Colombiano. Nem sequer haveria razão para grandes celeumas, não tivesse o partido em questão ligações às FARC, consideradas pelos EUA e pela União Europeia como terroristas. O secretário-geral do partido foi parco em palavras para justificar este convite, talvez porque não encontre os argumentos certos. Ao invés de desvalorizar a polémica, o secretário-geral do partido deveria ter justificado a presença deste partido com ramificações a grupos terroristas na festa do PCP.

Afinal de contas, e se olharmos atentamente para o PCP, não ficamos surpreendidos com a presença do partido em questão na festa do Avante. A ideologia que subjaz ao PCP não permite que haja espaço a outra coisa que não seja o anacronismo e a falência que caracteriza o partido.

A discussão sobre a crise dos partidos políticos está na ordem do dia. Por um lado a direita sufoca, não tem ideias, e alimenta-se de atavismos e tricas partidárias; por outro a esquerda tem dificuldade em encontrar o seu espaço num mundo em que impera o neo-liberalismo. Neste contexto, o contributo do PCP não poderia ser pior para a definição da esquerda portuguesa. Com efeito, PCP mantém a sua cartilha marxista-leninista, mesmo depois do fim da URSS, e continua a pautar a sua conduta por ideias que já se provaram falidas, não obstante a tentativa de as reavivar por parte alguns países da América do Sul.

O PCP celebra este ano a revolução russa e convida para a sua festa um partido cujas ligações a grupos terroristas são evidentes. De que modo é que um partido como o PCP pode ser um partido de futuro, um partido de estabilidade, um partido que contribua para a consolidação da democracia? O PCP é um partido que olha para o passado com saudosismo, para o presente desprovido de ideias e para o futuro com esperança no regresso ao passado que tanto sofrimento causou a milhões de pessoas. Só desta forma se explica a celebração de uma revolução que teve o resultado que todos conhecemos; só desta forma se explica o constante apoio a países que desrespeitam os mais básicos princípios de liberdade; esta é o único modo de explicar o convite feito a um partido com ligações a grupos terroristas na Colômbia.

Todavia, a festa está aí e reúne habitualmente muitos milhares de pessoas, ficando a nítida sensação de que as questões abordadas neste texto estão longe de incomodar quem se desloca à festa.

De qualquer modo, o PCP continua incessantemente a insistir num modelo de sociedade caduco, não oferecendo, pois, um contributo profícuo ao espectro político nacional. Talvez não fosse má ideia os dirigentes do PCP olharem para o Bloco de Esquerda, e percepcionarem o seguinte: é preciso pensar e repensar o partido, a esquerda, e olhar para o futuro com o mínimo de realismo. Caso contrário não se está a trazer nada de novo e profícuo ao país. A revolução russa e o partido convidado pelo PCP à festa do avante são paradigmas de uma visão pouco clara do mundo em que vivemos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...