segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Ainda a festa do avante


A festa do Avante volta a ter como convidado o Partido Comunista Colombiano. Nem sequer haveria razão para grandes celeumas, não tivesse o partido em questão ligações às FARC, consideradas pelos EUA e pela União Europeia como terroristas. O secretário-geral do partido foi parco em palavras para justificar este convite, talvez porque não encontre os argumentos certos. Ao invés de desvalorizar a polémica, o secretário-geral do partido deveria ter justificado a presença deste partido com ramificações a grupos terroristas na festa do PCP.

Afinal de contas, e se olharmos atentamente para o PCP, não ficamos surpreendidos com a presença do partido em questão na festa do Avante. A ideologia que subjaz ao PCP não permite que haja espaço a outra coisa que não seja o anacronismo e a falência que caracteriza o partido.

A discussão sobre a crise dos partidos políticos está na ordem do dia. Por um lado a direita sufoca, não tem ideias, e alimenta-se de atavismos e tricas partidárias; por outro a esquerda tem dificuldade em encontrar o seu espaço num mundo em que impera o neo-liberalismo. Neste contexto, o contributo do PCP não poderia ser pior para a definição da esquerda portuguesa. Com efeito, PCP mantém a sua cartilha marxista-leninista, mesmo depois do fim da URSS, e continua a pautar a sua conduta por ideias que já se provaram falidas, não obstante a tentativa de as reavivar por parte alguns países da América do Sul.

O PCP celebra este ano a revolução russa e convida para a sua festa um partido cujas ligações a grupos terroristas são evidentes. De que modo é que um partido como o PCP pode ser um partido de futuro, um partido de estabilidade, um partido que contribua para a consolidação da democracia? O PCP é um partido que olha para o passado com saudosismo, para o presente desprovido de ideias e para o futuro com esperança no regresso ao passado que tanto sofrimento causou a milhões de pessoas. Só desta forma se explica a celebração de uma revolução que teve o resultado que todos conhecemos; só desta forma se explica o constante apoio a países que desrespeitam os mais básicos princípios de liberdade; esta é o único modo de explicar o convite feito a um partido com ligações a grupos terroristas na Colômbia.

Todavia, a festa está aí e reúne habitualmente muitos milhares de pessoas, ficando a nítida sensação de que as questões abordadas neste texto estão longe de incomodar quem se desloca à festa.

De qualquer modo, o PCP continua incessantemente a insistir num modelo de sociedade caduco, não oferecendo, pois, um contributo profícuo ao espectro político nacional. Talvez não fosse má ideia os dirigentes do PCP olharem para o Bloco de Esquerda, e percepcionarem o seguinte: é preciso pensar e repensar o partido, a esquerda, e olhar para o futuro com o mínimo de realismo. Caso contrário não se está a trazer nada de novo e profícuo ao país. A revolução russa e o partido convidado pelo PCP à festa do avante são paradigmas de uma visão pouco clara do mundo em que vivemos.

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