terça-feira, 11 de setembro de 2007

11 de Setembro

Seis anos após os atentados do dia 11 de Setembro é difícil afirmar que o mundo é hoje mais seguro. Todos os anos após o 11 de Setembro é colocada a questão da segurança no mundo – o mundo é hoje mais seguro? A resposta não é linear. Por um lado, não se tem assistido nos últimos anos a atentados terroristas com o impacto de outrora; por outro lado, as polícias e serviços de informações têm sido exímios na tarefa de desmantelar células terroristas, em particular na Europa, o que pressupõe a existência grupos terroristas que desenvolvem todos os esforços no sentido de preparar e executar actos terroristas.
O 11 de Setembro justificou a intervenção militar no Afeganistão, e apesar da necessidade dessa intervenção, não se tem verificado a estabilidade necessária que permita a este país sair da esfera do fundamentalismo e recomeçar num clima de estabilidade e tolerância. O regime talibã e a sua filosofia extremista continuam a ser presença contínua no Afeganistão.
Por outro lado, o Iraque continua ser o palco da violência mais atroz consequência de uma guerra sectária que envolve xiitas e sunitas. Fala-se com particular insistência na
retirada das tropas do Iraque – a opinião pública americana mostra-se cada vez menos tolerante face a uma guerra sem justificação plausível – mas, não se tem discutido os cenários possíveis pós-retirada das tropas americanas. O perigo de uma guerra civil e do desmembramento do Iraque não são cenários tão remotos quanto isso.
De facto, verifica-se que o Médio Oriente continua a ser o palco da instabilidade que alimenta o fundamentalismo islâmico. O conflito israelo-palestiniano, a presença e intervenção americana no Médio Oriente, a existência de regimes políticos herméticos, os petro-dólares contribuem para tornar o Médio Oriente numa região permanentemente volátil onde recrudesce o fundamentalismo islâmico.
A luta contra o fundamentalismo que sustenta os grupos terroristas é o primeiro passo no combate ao terrorismo. Esse combate faz-se em várias frentes, incluindo na Europa. De igual modo, verifica-se o sucesso das várias polícias e serviços de informação e o fracasso das políticas americanas.
O mundo não é mais seguro do que no passado, este período de relativa acalmia não significa que o monstro do fundamentalismo não esteja a ser incessantemente alimentado. E se se afirma que Al-Qaeda está longe de ser o grupo do passado, é igualmente verdade que o efeito de mimetismo prevalece – a Al-Qaeda é hoje mais do que um grupo de acção, é um grupo de forte inspiração.

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