
Recentemente o CDS-PP criticou o canal público de televisão por ter permitido que uma das suas jornalistas tivesse feito uma entrevista ao embaixador do Irão envergando o véu e luvas pretas. Não se pode deixar de dar razão às críticas do CDS-PP, será que era mesmo necessário que a jornalista envergasse essa indumentária? Será que era condição imposta pela embaixada do Irão? Ou foi consequência dos critérios editoriais da RTP?
Independentemente da razão, não se percebe como é que uma jornalista portuguesa faz uma entrevista, em Lisboa, vestida dessa forma. Não parece haver uma explicação que fundamente o sucedido. Não obstante o respeito que se tem pelos aspectos religiosos de qualquer país, sabe-se também que a indumentária em questão comporta aspectos negativos relativamente ao universo feminino – não se justifica que em Portugal, uma jornalista do canal público de televisão apareça vestida dessa forma.
Importa sublinhar que, na perspectiva de grande parte do Ocidente, a questão do véu levanta questões sobre a condição feminina em alguns países islâmicos. Portugal, a par de outros países ocidentais, não aprecia a presença de uma jornalista portuguesa coberta com um véu, vestida de negro dos pés à cabeça e usando luvas. A situação seria quase caricata, não fosse a intenção – aparentemente inexplicável – por detrás da dita entrevista.
Haverá certamente muitas hipotéticas explicações para o sucedido, a mais plausível é seguramente a tentativa de agradar o embaixador iraniano. Contudo, a percepção não será liminarmente essa – não haverá igualmente uma posição subserviente do canal público de televisão?
Compreender-se-ia melhor a situação se a entrevista fosse realizada no Irão, mas em Portugal, mesmo na embaixada iraniana, tem-se mais dificuldade em aceitar. Na verdade, se isto começa a ser moda, de cada vez que uma jornalista tiver que apresentar notícias sobre um país islâmico talvez adopte a mesma indumentária. Ironias à parte, a deputada do CDS-PP, Teresa Caeiro, foi oportuna em criticar a RTP. Exigem-se mais explicações sobre a posição adoptada por este canal de televisão. Afinal, tudo isto se passou no canal público de televisão.
Não se trata de criticar avulsamente a utilização do véu, a questão é outra e prende-se com o contexto em que esse véu foi envergado, e por quem. Enfim, esperava-se outra coisa do canal público de televisão.
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