
O PSD está a atravessar um período difícil, quanto a isso não restarão grandes dúvidas. Alguns atribuem a crise deste partido a dificuldades de natureza ideológica, outros afirmam ser um problema de identidade, e muitos concordam com a tibieza da liderança do partido. Em Setembro há directas para a escolha do líder do PSD. Apresentam-se como candidatos Luís Filipe Menezes e o actual líder Marques Mendes. Existe uma terceira candidatura de Castanheira Barros, mas a corrida será essencialmente entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes.
O futuro mais imediato do PSD está ensombrado pela dúvida, entre a reeleição de Marques Mendes e a possibilidade da vitória de Luís Filipe Menezes não há espaço para grandes optimismos. Em Marques Mendes sobressai o sentido de responsabilidade, qualidade que nem sempre é tão evidente no seu opositor mais directo. Todavia, a ausência de ideias, as contradições (sendo a mais evidente a questão da carga fiscal), a falta de impetuosidade têm fragilizado a actual liderança do PSD, que se reflecte, com alguma naturalidade, nas sondagens. Por outro lado, os laivos de populismo de Menezes provocam desagrado nas poucas figuras de relevo que ainda se mantém ligadas ao partido.
De facto, o PSD é um partido que ainda não encontrou o seu espaço para fazer oposição ao Governo, ou dito de outra forma, o PSD perdeu parte do seu espaço ideológico, agora ocupado pelas políticas mais liberais do Governo. Não será, pois, fácil reencontrar esse espaço, mas seria profícuo que o actual líder mostrasse ao país ideias e projectos alternativos à litania do Governo. É impensável fazer-se um combate político apenas com base em polémicas e lugares-comuns – os resultados estão à vista.
O PSD, considerado o “catch all party” sem uma ideologia muito vincada (comparativamente, por exemplo, com o PS), é agora órfão de ideias e de projectos. A futura liderança, que pode passar pelo actual líder ou por Luís Filipe Menezes, terá de ter em conta a importância de se apresentar como verdadeira alternativa ao Governo. Caso contrário, 2009 será o ano de mais uma derrota. E com efeito, o país precisa de um maior equilíbrio entre as diferentes forças políticas. A democracia consolida-se com a diversidade e força das ideias dos vários partidos políticos.
Em suma, é fundamental que o PSD esclareça as suas posições em relação a temas estruturantes como a reforma da Administração Pública, a reforma da Saúde, Educação, e por aí fora. Se, ao invés, o PSD, na pessoa do seu líder, insistir em fazer política em função do último desaire do Governo, os portugueses se convencerão, cada vez com maiores certezas, de que em 2009 não terão outra alternativa às políticas do actual Governo. De qualquer modo, espera-se que o combate político entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes possa passar ao lado do populismo mais primário. “O nosso grande líder” – frase proferida por Marques Mendes, na Madeira – não pressagia um futuro mais promissor para o maior partido da oposição.
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