sexta-feira, 20 de julho de 2007

Processo de paz do Médio Oriente


O quarteto responsável pelo processo de paz do Médio Oriente reuniu-se ontem em Lisboa, com a inclusão de Tony Blair como enviado especial para a região. O quarteto composto por ONU, EUA, Rússia e UE tem uma missão de dificuldade acrescida. A divisão que se vive na Palestina, entre Hamas e Autoridade Palestiniana, traz novas dificuldades ao quarteto. Note-se ainda que o processo de paz ganha crescente importância para Israel, a instabilidade que eclodiu na Palestina não se traduzirá numa nova oportunidade para a paz.

Importa sublinhar que o envolvimento dos países da região na resolução do conflito israelo-palestiniano não pode ser ignorado, aliás a proposta da Arábia Saudita com vista a um regresso às fronteiras antes de 1967 é bom princípio para a resolução do impasse. Outro elemento positivo poderá ser o contributo e envolvimento de Tony Blair no processo de paz. As capacidades de negociação e o seu carisma serão, certamente, importantes para que se retome o caminho da paz.

Contudo, a inexistência de uma liderança forte, quer do lado israelita, quer do lado palestiniano condicionam largamente o processo de paz, e a cisão que se vive no seio da Palestina, designadamente entre o Hamas (isolado internacionalmente) e a AP (com forte apoio internacional) constitui a grande incógnita no que diz respeito ao futuro mais próximo dos territórios palestinianos. Já para não falar das questões mais quentes em qualquer negociação para a paz: a questão das fronteiras, o estatuto de Jerusalém, e o eterno problema dos refugiados. Qualquer tentativa no sentido de alcançar a paz será em vão, caso estas questões não sejam clarificadas.

De qualquer modo, Israel vive num acentuado estado de incerteza e a sua sobrevivência depende, em larga medida, da estabilização da região. De resto, o contexto é manifestamente desfavorável ao Estado israelita, senão vejamos: a procura por parte do Irão da obtenção de tecnologia nuclear aliada ao discurso irascível dos seus líderes; a questão do Iraque que inflama o radicalismo e que parece inextinguível; e a divisão dos territórios palestinianos põem em causa a segurança do território israelita. Esta problemática terá de ser convenientemente equacionada pelo quarteto para a paz no Médio Oriente. Ora, refira-se que a luta contra o fundamentalismo de cariz islâmico é condição sine qua non para a estabilização do Médio Oriente.

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