segunda-feira, 9 de julho de 2007

Degradação da classe política


A classe política portuguesa tem vindo a sofrer uma acentuada degradação nos últimos anos. O que também é sintomático do actual estado do país, não é possível antever-se um futuro mais equitativo e próspero quando a classe política é de tão fraca qualidade como é a de hoje. Dir-se-á que o actual estado do país não é consequência apenas da preponderância incipiente dos políticos. Ora, poder-se-á concordar em parte com esse argumento, no entanto, a responsabilização de uma classe política tecnocrata e incompetente pela crise em que o país está atolado não pode ser desvalorizada.

Infelizmente, existe um vasto conjunto de indicadores que denotam a existência de políticos cujo desempenho raia a mais acentuada incompetência e ausência de visão estratégica. Já para não falar de suspeitas de irregularidades no desempenho de funções políticas – o caso mais recente do líder do CDS é mais uma acha para a fogueira de vaidades inconsequentes que é a política em Portugal. Do lado do Governo, assistimos à tentativa flagrante de politização da administração pública aliada à mais abjecta intolerância. De facto, os boys nunca tiveram a vida tão facilitada como hoje.

Sublinhe-se reiteradamente a completa falta de qualidade associada a uma classe política a caminho da degradação. De um espectro político ao outro, com raríssimas excepções, assiste-se ao triunfo da incompetência e da bajulação. Por conseguinte, são escassos os episódios de verdadeiro debate de ideias – aliás, alguém se lembra da última vez em que um político manifestou ter alguma ideia? Não precisamos de ir muito longe, basta acompanhar a campanha dos vários candidatos à Câmara Municipal de Lisboa.

Enfim, não é, portanto, de estranhar que se constate a abjecção que os cidadãos sentem relativamente à política. A sociedade civil é, de resto, um conceito difuso e o desinteresse generaliza-se. Com este pano de fundo caminhamos a passos largos para o abismo da inviabilidade. A força de qualquer país mede-se pela participação forte dos cidadãos na construção desse país e por uma classe política composta pelos melhores, pelos mais competentes, em suma, composta por aqueles que fazem da política uma arte na prossecução do bem-estar comum.

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