terça-feira, 24 de julho de 2007

As atribulações do maior partido da oposição

Afinal Marques Mendes não vai estar sozinho no dia 28 de Setembro, o actual presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, vai fazer-lhe companhia. Depois de um impasse efémero, Luís Filipe Menezes anunciou a sua candidatura. A conclusão mais imediata a retirar desta conjuntura é a de que não existem verdadeiras alternativas para a liderança do maior partido da oposição. Fica assim claro que as atribulações que têm caracterizado o PSD, durante estas últimas semanas, são para continuarem.
Se por um lado se verifica a presença apagada e incipiente do actual líder do PSD, por outro, não se perspectiva uma candidatura de Menezes que desperte grande entusiasmo no seio do partido e fora da esfera partidária. De resto, não parece que surja, entretanto, uma candidatura de uma outra personalidade do PSD. Na verdade, ninguém estará na disposição de liderar um partido sem rumo e inserido num contexto manifestamente desfavorável – eleições legislativas em 2009 frente ao partido do Governo que, apesar de tudo, se mantém na frente das sondagens.
O Partido Social-Democrata atravessa uma crise de identidade, nunca conseguindo fazer frente a um Governo que ocupou parte do seu espaço ideológico. O PSD tem sido incapaz de se mostrar como verdadeira alternativa ao Governo, e manifesta essa incapacidade através da escassez de ideias e de propostas. A oposição tem sido caracterizada por uma mistura de chavões inopinados e por críticas mais ou menos inofensivas ao estilo da governação do actual primeiro-ministro. As propostas, as ideias, as alternativas, essas, têm ficado na gaveta.
A candidatura de Luís Filipe Menezes está longe de ser aquela almejada por muitos militantes. Contudo, é possível antever uma possível vitória desta candidatura, até porque Marques Mendes, apesar de alguns momentos positivos, tem manifestado alguma incapacidade para fazer oposição ao Governo de José Sócrates.
De qualquer modo, o enfraquecimento do principal partido da oposição não prenuncia um futuro risonho para os portugueses. O desequilíbrio causado pela crise dos partidos de direita poderá dar lugar a mais arrogância e intransigência do Governo. Entretanto o país faz um compasso de espera, entalado entre a Presidência da União Europeia e o adiamento das reformas que o país tanto precisa. Contentemo-nos com mais uma pomposa atribuição de alguns computadores pelos membros do Governo.

Sem comentários: