
Nas últimas semanas o ambiente entre EUA e Rússia, com a Europa no meio, aqueceu atingindo temperaturas até certo ponto preocupantes. A questão da localização do escudo antimísseis veio nos relembrar, uma vez mais, do peso da Rússia. Não foi a primeira vez que tal acontece, já por diversas vezes o Presidente russo fez questão de relembrar à Europa e ao mundo do sua incontornável importância. A Rússia nunca deixou de ser uma potência a nível mundial, pelo menos na perspectiva de muitos russos, designadamente de Vladimir Putin.
A história deste país está repleta de momentos de grandiosidade, desde a Rússia dos Czares até à União Soviética. Com a dissolução desta, a Rússia passou por momentos de maior discrição, nunca deixando, no entanto, de ter uma palavra a dizer sobre uma miríade de assuntos, designadamente sobre questões relativas à sua eterna zona de influência: ex-repúblicas soviéticas.
A Rússia de Putin é um país que procura a todo o custo o seu lugar de preponderância no mundo. E tê-lo-á encontrado? Provavelmente. Os seus argumentos são onerosos, a começar pela dependência energética da Europa – os recursos energéticos russos têm funcionado até como forma de chantagem, com o objectivo claro de não perder a sua zona de influência; a Ucrânia, por exemplo, não é, aos olhos de Putin, negociável.
De qualquer forma, os EUA, a Europa e o mundo já perceberam que Putin vai continuar a lutar pelo estatuto de potência mundial, tendo já a seu favor a questão energética e parte de uma Ásia Oriental que tem dificuldades em afastar-se da mãe-Rússia. Já para não falar da questão nuclear, a Rússia nunca deixou de ser uma potência nuclear.
A União Europeia e os EUA terão de encontrar formas de lidar com um país que continua a almejar atingir a grandiosidade de outrora, cujo presidente alimenta e alimenta-se desses desígnios. Os episódios de demonstração de força certamente se repetirão no futuro, nem que seja para uso doméstico de Vladimir Putin – esta é também uma forma de fortalecimento ao nível interno do Presidente russo.
De resto, a Rússia de Putin tem renascido das cinzas, depois de um período complicado, em particular ao nível económico, após a dissolução da União Soviética. A Rússia, a par da China estará a pôr em causa a hegemonia mundial dos Estados Unidos. Um mundo multipolar parece ser cada vez mais uma inevitabilidade.
De resto, a Rússia de Putin tem renascido das cinzas, depois de um período complicado, em particular ao nível económico, após a dissolução da União Soviética. A Rússia, a par da China estará a pôr em causa a hegemonia mundial dos Estados Unidos. Um mundo multipolar parece ser cada vez mais uma inevitabilidade.
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