sábado, 5 de maio de 2007

Portugal e Espanha


O descontentamento de muitos portugueses origina as mais variadas reacções: para alguns o estado de apatia é inevitável, outros escolhem formas mais organizadas de manifestarem o seu estado de insatisfação, aderindo a manifestações contra o actual estado do país, e há ainda aqueles, que já não acreditando no potencial do nosso país, olham para Espanha como um novo oásis, e ambicionam assumidamente ou não uma espécie de casamento de conveniência entre estes dois estados. Todos terão um vasto conjunto de razões para criticar o país, contudo, a solução não passará certamente pela tão ambicionada união com Espanha.
O estado do país é seguramente preocupante, porquanto o retrocesso do bem-estar dos portugueses é uma realidade indelével para muitos cidadãos deste país. A precariedade do emprego, os elevados níveis de desemprego, a perda de poder de compra e o elevado endividamento das famílias são razões suficientes para justificarem um descontentamento generalizado. E mais, a descrença nos políticos, a corrupção e o regime de impunidade que caracteriza o país, a justiça intrincada e morosa, os privados a invadirem o sector da saúde, e a ausência de perspectivas de um país melhor acrescentam mais razões para que o tal descontentamento aumente exponencialmente. Muitos perguntarão se este é um país viável.
Todavia, e apesar de tantos constrangimentos, a solução para o país passará indubitavelmente pelos portugueses, e nunca por uma hipotética anexação de Portugal por Espanha. A nossa História quase milenar não pode ser olhada com a displicência e com o desinteresse do costume! Pelo contrário, devemo-nos orgulhar de todos os momentos brilhantes do passado, e aprender com os erros que a História não se cansa de nos mostrar. Somos um país uno e indivisível com uma identidade própria. Em Portugal, e apesar das crises que insistem em não nos abandonar, não existem dissenções quanto à integridade do território nacional. Não obstante a existência de inúmeros problemas, Portugal é um país unido. A sua soberania não pode ser posta em causa!
É natural que muitos olhem para Espanha de outra forma – não na perspectiva de um parceiro comercial privilegiado –, mas antes como uma forma de resolvermos facilmente os nossos problemas. Afinal, Espanha tem conhecido um crescimento económico assinalável, trata-se de um país que oferece aos seus cidadãos níveis de bem-estar mais elevados do que em Portugal, é por conseguinte normal que muitos portugueses encarem Espanha como sendo o tal oásis. Mas na verdade, não será este o caminho mais fácil? E se pensarmos bem sobre esta questão, será que estaríamos dispostos a abdicar das nossas raízes, da nossa identidade, da nossa soberania? Será que estaríamos dispostos a desistir de Portugal como estado soberano e independente? Será que gostaríamos de ser mais uma província espanhola? Quero acreditar que não.
O futuro do nosso país está nas nossas mãos, a tarefa é árdua, mas os portugueses já deram provas de não desistirem facilmente, os quase 900 anos de história dão inúmeras provas disso mesmo. O caminho tem de ser trilhado pelos portugueses, enquadrados no espaço europeu, mantendo fortes relações comerciais e diplomáticas com outros países, e também com Espanha, tentando encontrar o nosso espaço num mundo cada vez mais globalizado. Não é abdicando da nossa identidade, de tudo aquilo que nos caracteriza que vamos conseguir ultrapassar as dificuldades. Até porque o caminho aparentemente mais fácil, nem sempre se revela como sendo o melhor caminho.

4 comentários:

fraldinhas disse...

pois é..o teu segundo parágrafo diz quase tudo,infelizmente ainda acho que vives numa utopia disfarçada,mas tenho confiança que com o tempo ponhas a mão na cosciencia e voltes atrás porque acho sinceramente que vai ser inevitável,é só uma questão de tempo,não digo que seja já a curto prazo,mas que será uma realidade não tenho duvidas,aliás,será uma das consequencias da flamigerada e aclamada por uns,globalização!

Gisela disse...

Gostei muito da sua observação de fato é uma questão de por a mão na massa com dignidade, e podemos vencer essa "batalha" dos tempos modernos. Concordo e estou disposta a colaborar.
....Portugal está em vias de ser uma provincia da Espanha
Isso é muito triste, agora temos que encarar de frente que os Portugueses paráram são como filhinhos mimados e dependentes. Não lutam mais pelos bens que têm. Os bens materiais que deixámos ir é apenas a ponta de um Iceberg. Imerso estão os ideais mais nobres da humanidade é o ideal do V Império, é a razão porque viveram Grandes Homens, é a dignidade, é o bem estar consigo mesmo, é a satisfação de se sentir realizado, é o amor próprio que passou primeiro pelo amor ao próximo. É também o ideal de realizar o reino de Deus na terra (não só com sonhos mas com ações - como propõe S.Tiago), felizmente que Deus é soberano e passou a missão para os que estão à escuta Dele. E pensar que já fomos os filhos pródigos que espalhavam pelo mundo esse reino maravilhoso. Como igorar essa tamanha riqueza. A Inveja veio surrateira e nos cegou, nos fez esquecer até o sangue da destruição das missões, do qual até dizem que o terramoto de 1755 em Lisboa foi o castigo merecido. É como se Lúcifer quisesse se vingar do que a nossa Nação fez na terra, mandou-nos um nevoeiro tão serrado que já não vemos , já não pensamos...mas felizmente o encoberto existe...não o conheceremos, pois não seria encoberto. No Brasil ainda avistamos esperança, lá onde disseram que é o Celeiro do mundo há admiração pelo português ,há muito orgulho em ter esse sangue que vale pela intenção com que foi criado Portugal. S. Bernardo...D.Dinis...A Ordem de Cristo... Os primeiros Jesuitas....Padre António VIeira....a ordem terceira dos Franciscanos....Fernando Pessoa...Agostinho da Silva... Norberto Keppe, o que eles fizeram não é Utopia é a nossa realidade!!!será que não podemos dar ouvidos a esta herança ? porquê querer ser Europeu como se dependêssemos desse dinheiro para existir. O nosso sistema econômico mundial é tão frágil que precisa de milhares de bombas atomicas para ser "respeitado" o que Portugal tem na sua essência e o Brasil cultiva é muitíssimo mais importante e necessário para a vida da humanidade. Vamos lutar sim! Vamos trabalharmos arduamente pelo que somos, para colhermos os frutos dos talentos que nos foram dados? Estamos sempre a tempo e nossos aliados são fortes. Aliás essa globalização económica está só a favorecer a meia dúzia que detem o poder e a massacrar a maior parte da população. A verdadeira globalização já começou com ideais universais, com os gregos os artistas, os românticos, Goethe, os Franciscanos, e muitos outros que fizeram Portugal, sendo o Brasil que tantos amam, fruto disso, uma amostra do que é os povos e religiões viverem em harmonia respeitando as diversidades. (Gisela)

Picuinhas disse...

Que tal assentar os pés na terra primeiro antes de levantar as mãos ao céu e pensar que vem ai o juízo final (que nunca foi provado que possa vir a acontecer?)?
Corações almejam, mas há uma raiz lusitana demasiadamente forte e orgulhosa e provavelmente lá viria outra dinastia de Aviz, por muito mal que tudo esteja o português arranja sempre solução, diz mal da situação e de tudo e de todos, critica muito, olha e aprecia a galinha do vizinho...mas sejamos francos, continuaremos a ser Portugal no mau sentido pois é este encolher de ombros e apatia geral que nos prejudica e nos empurra para detrás em vez de para a frente a favor da evolução como sociedade e em consequência do bem estar da mesma, no bom sentido, pois parece que só temos orgulho nacional ultimamente cada vez que a selecção nacional joga e no final se engalfinha em intrigas e trocas de galhardetes....que tal começarmos a tomar uma consciência real dos maus ridículos e bons muito sensatos que temos e somos?

Picuinhas disse...

Que tal assentar os pés na terra primeiro antes de levantar as mãos ao céu e pensar que vem ai o juízo final (que nunca foi provado que possa vir a acontecer?)?
Corações almejam, mas há uma raiz lusitana demasiadamente forte e orgulhosa e provavelmente lá viria outra dinastia de Aviz, por muito mal que tudo esteja o português arranja sempre solução, diz mal da situação e de tudo e de todos, critica muito, olha e aprecia a galinha do vizinho...mas sejamos francos, continuaremos a ser Portugal no mau sentido pois é este encolher de ombros e apatia geral que nos prejudica e nos empurra para detrás em vez de para a frente a favor da evolução como sociedade e em consequência do bem estar da mesma, no bom sentido, pois parece que só temos orgulho nacional ultimamente cada vez que a selecção nacional joga e no final se engalfinha em intrigas e trocas de galhardetes....que tal começarmos a tomar uma consciência real dos maus ridículos e bons muito sensatos que temos e somos?