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Dispostos a tudo

Bem sabemos que este é ano de eleições, altura ideal para pressionar o poder político para que este atenda às reivindicações, o que só por si poderia justificar a multiplicidade de sindicatos e até de ordens profissionais empenhadas nas greves. Bem sabemos que no tempo do outro governo, apesar das condições de trabalho e até de vida terem conhecido uma deterioração sem precedentes, não assistimos a tamanha mobilização, a greves de fome (uma delas porque os polícias não podem utilizar a farda nas manifestações e greves, aparentemente também isto é razão para uma greve de fome) ou a líderes sindicais afirmarem que estão dispostos a tudo.
Dir-se-á que no tempo do outro senhor o país estava na famigerada bancarrota e, por conseguinte, tudo era permitido. Não estou assim tão convencida desse argumento. Na verdade, creio existirem outras motivações, entre as quais, para uns a existência de um governo de esquerda pode ser mais maleável do que um de direita o que justifica um intensificar da luta, aproveitando alguns para fazerem prova de vida; para outros a motivação poderá até ser política, no sentido de enfraquecer a actual solução governativa.
Seja como for, e pegando nas palavras de um sindicalista da PSP, os sindicatos mostram-se "dispostos a tudo", hoje, porque ontem pareciam dispostos a nada, pelo menos em comparação.

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