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A mostrar mensagens com a etiqueta China

Libertação de Suu Kyi

Aung Saqn Suu Kyi foi finalmente libertada depois de 18 meses em prisão domiciliária e quase outros tantos anos a ser privada da sua liberdade. A libertação da dissidente birmanesa visa acalmar as críticas e pressões internacionais em volta da sua prisão e das recentes eleições pouco democráticas, o que está longe de quer dizer, no entanto, que Suu Kyi estará verdadeiramente em liberdade. Recorde-se que Suu Kyi é o rosto mais conhecido da oposição à Junta Militar que tomou conta do poder na Birmânia. A libertação de Suu Kyi dá-nos mais uma oportunidade de apreciar um verdadeiro exemplo para o mundo. Suu Kyi, apesar de tantas privações, faz constantes apelos à paz e à estabilidade e sublinha a sua crença no regime democrático - um exemplo e um modelo também para países onde a democracia é uma realidade, embora tantas vezes subestimada pelo poder político e pelos cidadãos. Há mais de dois mil presos políticos na Birmânia. Importa não esquecer que a permanência no poder da Ju...

Visita do Presidente Chinês

Hu Jintao, Presidente da República Popular da China, visitou o nosso país e teve direito a ampla cobertura dos média nacionais. A ideia de que o Presidente Chinês veio "ajudar" Portugal foi incessantemente veiculada pela comunicação social. A China tem dinheiro, a China pode comprar a dívida portuguesa - foram estas as ideias que estiveram a rodear a visita do mais alto dirigente chinês. Quanto aos direitos humanos, pouco há a dizer nestas circunstâncias. Desde logo porque os dirigentes chineses são muito sensíveis, por conseguinte qualquer crítica seria melindrosa e arruinaria a visita chinesa e as aspirações portuguesas. Seria irrealista afirmar-se que as relações económicas com a China não têm importância para Portugal ou para qualquer outro país. A China como potência emergente merece essa atenção. Todavia, o que é criticável e que os direitos sociais e os direitos humanos fiquem sempre de fora destas e de outras visitas. Assim como ficam de fora questões como...

Prémio Nobel da Paz e a reacção do PCP

O prémio Nobel da Paz deste ano foi entregue ao opositor chinês Liu Xiaobo. As reacções do regime chinês não se fizeram esperar e entre acusações à Noruega e chantagens pueris, a China mostra novamente que ainda está longe de proporcionar aos seus cidadãos a liberdade que muitos ambicionam. Recorde-se que o prémio Nobel da Paz deste ano encontra-se preso. Por cá, assistimos a declarações do Partido Comunista Português reveladoras da verdadeira natureza do partido. O PCP põe mesmo em causa o galardão e crítica veementemente a atribuição do prémio que terá sido fruto. segundo a sapiência do partido, de pressões dos Estados Unidos. Para o PCP a supressão de liberdades básicas, a natureza repressiva do regime chinês e a incursão da China no capitalismo mais selvagem são meros detalhes sem qualquer importância. Aliás, é irónico assistir aos discursos do PCP de defesa dos direitos dos trabalhadores e, simultaneamente, verificar que este é o mesmo partido que defende um regime q...

Segunda maior economia do planeta

A segunda maior economia do mundo deixará, até ao final do ano, de ser o Japão para dar lugar à China. Esta notícia não constitui propriamente surpresa, mas não deixa de ser inquietante devido ao modelo económico da China e da pressão que esse modelo faz a outras economias. Aliás, há quem, em países europeus, mostre pouca ou nenhuma resistência ao modelo chinês. Na verdade é inquietante ver alguma comunicação social vangloriar o facto da China passar a segunda economia do mundo e esquecer o modelo que permitiu essa ascensão; um modelo que despreza inexoravelmente os direitos sociais e que constitui um retrocesso civilizacional muito acentuado. Paradoxalmente há quem aprecie a China pelo seu modelo económico e quem ainda se sinta confortável com a ideologia vigente. Em ambos os casos, as contradições são evidentes e a questão que se impõe e a seguinte: como é que se pode apreciar uma miscelânea de comunismo cerceador das liberdades e de capitalismo selvagem? A rigidez dos ...

Pressões da China

Perante a possibilidade do Presidente Barack Obama receber o prémio Nobel da Paz, Dalai Lama, a China reagiu com as ameaças do costume. Segundo as autoridades chinesas, uma eventual recepção de Obama do líder espiritual tibetano compromete as relações entre os dois países. As ameaças cada vez menos veladas das autoridades chineses surtem, amiúde, efeito. Mas não me parece que venha a ser este o caso. A Administração Obama não se coibiu de criticar veementemente o regime chinês devido aos episódios de censura que puseram em causa a permanência da empresa Google na China. Existe certamente uma certeza: uma eventual recepção por parte do Presidente americano do Dalai Lama fragiliza as relações com a China, mas denota aquela verticalidade que não se coaduna com a Realpolitik . Em Portugal, aquando da visita do Dalai Lama ao nosso país, o Governo e a Presidência mostram a sua total subserviência e ausência de espinha dorsal. Enfim, não terá sido o primeiro episódio do género, nem será segur...

Ainda a violência em Xinjiang

Segundo alguns órgãos de comunicação social a violência e a morte continuam na província de Xinjiang no início desta semana, a polícia chinesa disparou fatalmente contra dois uigures, ferindo um terceiro. A estratégia do regime chinês passa pelo uso da repressão no sentido de cortar com os focos de instabilidade que se tem vivido em Xinjiang. O silêncio da comunidade internacional é mais um elemento que joga a favor do regime chinês, tal como o silêncio das principais lideranças internacionais no que diz respeito ao Tibete e aos direitos humanos em geral tem servido os intentos do regime. Paralelamente, o regime chinês não poupa esforços no sentido de associar a revolta uigur a grupos terroristas como a Al-qaeda, embora não existam provas dessa ligação. Na realidade, as autoridades chinesas nem precisavam de estabelecer paralelismos e ligações entre os uigures e a Al-qaeda. A comunidade internacional está completamente rendida aos encantos do colosso chinês. Um país que cresce economic...

A repressão chinesa e a passividade da comunidade internacional

A repressão chinesa é mundialmente conhecida, desde Tianamen, passando pelo Tibete e culminando agora com a repressão em Urumqi a região autónoma de Xinjiang. A China também é feita de diversidade que o regime não aceita com facilidade - veja-se os conflitos no Tibete que são um exemplo claro de umdesrespeito contínuo da cultura, tradições e religião no Tibete. Em Xinjiang repete-se o filme. As autoridades chinesas utilizam métodos neocolonialistas e subjugam as populações às suas diferenças étnicas e religiosas. No caso de Xinjiang, a história repete-se: a étnica han (maioritária e dominante) impõe-se aos uigures, desrespeitando elementos culturais como a língua e não aceitando a religião ou pelo menos a prática num contexto de liberdade da religião. Recorde-se que os uigures são muçulmanos e o regime chinês encerrou mesquitas, embora agora admita que vai reabrir algumas mesquitas. Quanto a revolta eclode, o regime chinês faz aquilo que sempre fez no passado: reprime, ataca ainda mais...

Violência em Xinjiang

Desta vez foram as manifestações de uighures em Xinjiang que levaram à resposta repressiva das autoridades chinesas e à subsequente violência que já causou a morte a 140 pessoas . Os uighures são uma minoria muçulmana com ambições separatistas que vivem sob o jugo da maioria Han. Os uighures apresentam queixas semelhantes aos tibetanos, relacionadas sobretudo com o facto das autoridades chinesas de não respeitarem as diferenças religiosas e culturais; as autoridades chinesas acusam os separatistas uighures de serem terroristas associados a grupos como a Al-qaeda, embora nunca se tenha feito realmente prova dessas acusações. Xinjiang tem o mesmo estatuto de autonomia que o Tibete. A China adoptou uma estratégia em relação a Xinjiang muito semelhante àquela aplicada no Tibete: incentivos à deslocação de chineses han para a região. Os separatistas uighures são acusados de serem responsáveis por inúmeros ataques a interesses chineses. No caso da violência em Urumqi, capital de Xinjiang, as...

A guerra é possível?

O Jornal Público dá conta do aumento dos níveis de alerta por parte dos Estados Unidos e da Coreia do Sul contra a Coreia do Norte . As reiteradas demonstrações de força sob a forma de provocações está a deixar os países vizinhos da Coreia do Norte e a comunidade internacional com os nervos à flor da pele. Além dos ensaios nucleares, o regime norte-coreano não se coíbe de ameaçar directamente os países vizinhos e abandonou mesmo o armistício que acabou com a guerra de 1950-1953. Ora, nestas circunstâncias a tensão vai continuar a subir, com a agravante de se desconhecer o próximo passo do regime chefiado por Kim Il - Jong (isto se ainda for Kil Il - Jong a estar à frente do regime) tendo em conta o elevado grau de imprevisibilidade da Coreia do Norte. Recorde-se que este recrudescimento da tensão ocorre numa das zonas mais militarizadas do mundo. A instabilidade que se vive na região persiste desde o princípio dos anos 50 e tem contado com momentos mais intrincados. O que se está a ...

Ensaios nucleares da Coreia do Norte

O regime norte-coreano continua a zombar da comunidade internacional, através de ensaios nucleares que contam com a forte condenação internacional. Até a Rússia já enfatizou a inevitabilidade de resoluções duras contra a Coreia do Norte, pese embora se ignore que a Rússia tem a sua quota-parte de responsabilidade na situação actual caracterizada por constantes provocações do regime liderado por Kim - Il Jong . Espera-se que a China siga o exemplo russo e não se coíba de condenar a atitude provocatória do regime norte-coreano. Além da condenação, espera-se que o regime chinês perceba que nada de positivo pode advir da crescente instabilidade da região e o que o pragmatismo chinês dê lugar a qualquer solidariedade ideológica. De resto, a Coreia do Norte tem hoje a capacidade para exasperar meio-mundo e preocupar os seus países vizinhos graças ao apoio de países como a China e, em menor grau, a Rússia. A única forma exequível de refrear a atitude provocatória da Coreia do Norte passa por...

Birmânia e a comunidade internacional

A Birmânia, que tem andado distante das primeiras páginas dos jornais e das aberturas dos serviços noticiosos, volta a ser notícia, desta vez devido à prisão de um cidadão americano que terá visitado Aung San Suu Kyi , que se encontra em prisão domiciliária. Terá sido apenas por esta razão que a Birmânia e o ignóbil regime que está à frente dos destinos do país volta a ter algum destaque. De facto, depois da revolta dos monges e do ciclone que assolou o país este país caiu novamente no esquecimento internacional. O país é longínquo, o regime inexpugnável, o rosto da oposição, Aung San Suu Kyi , encontra-se presa há mais de 13 anos e países como a China continuam a bloquear qualquer intenção que comunidade internacional possa ter no sentido de contrariar a junta militar que governa a seu bel -prazer o país há décadas, o que torna o assunto pesado e pouco apetecível. Nestas condições, não é causa de espanto que o assunto seja, de um modo geral, ignorado. O regime militar governa o pa...

Ainda a Coreia do Norte

O regime norte-coreano continua a sua política de provocação, desta vez com o anúncio do abandono das negociações sobre o nuclear, sublinhando a sua intenção de reactivar instalações nucleares. Esta provocação surge como resposta à condenação da ONU a propósito do lançamento de um foguetão que, segundo as autoridades norte-coreanas, tinha objectivos legítimos, isto apesar de constituir uma clara violação da resolução 1718 das Nações Unidas. Importa sublinhar que este regime, à semelhança de outros regimes ditatoriais, necessita de ostensivas manifestações de força, nem que seja para consumo interno. Assim, há a tendência para eleger inimigos externos e incitar a população a reunir-se em torno de valores nacionais e em torno da grandeza do regime. No caso particular, o "querido líder" - homem esclarecido e providencial, aos olhos do regime - está apenas a insurgir-se contra os inimigos (comunidade internacional) e a lutar pela grandeza da Coreia do Norte. O grande problema de ...

Antiamericanismo levado ao extremo

O lançamento, ao que tudo indica de um míssil balístico, da Coreia do Norte constitui antes de mais um incumprimento de resoluções das Nações Unidas. Além disso, trata-se de uma clara atitude provocatória cujo único contributo é o de aumentar a instabilidade da região. Infelizmente, o ódio que é destilado pelos Estados Unidos não permite ver, como é hábito, o essencial. Os arautos do antiamericanismo mais primário perdem-se em questões colaterais e minudências . Assim, e apesar da atitude provocatória da Coreia do Norte e do seu desrespeito por resoluções da ONU, há quem prefira criticar a preponderância dos EUA e as incongruências da sua política externa. Pelo caminho todos esquecem a Coreia do Norte e perdoa-se a complacência das autoridades chinesas que vêm agora defender o direito norte-coreano ao uso pacífico do espaço, como se essa fosse a questão central. Na verdade, nem a postura e as políticas de Obama - diametralmente opostas à do seu antecessor - são capazes de apaziguar os...

A provocação da Coreia do Norte

O regime norte-coreano continua na senda da provocação, desta vez através do lançamento de um míssil de longo alcance, em clara violação das leis internacionais. Foi o próprio Presidente americano que considerou este lançamento uma provocação. Os países vizinhos da Coreia do Norte, designadamente, a Coreia do Sul e o Japão não escondem a sua preocupação com este desenvolvimento do intrincado país vizinho. Este lançamento que mais não é de que uma provocação de um regime falido e é um claro desrespeito às resoluções das Nações Unidas. Recorde-se que há escassos meses não se sabia bem o estado de saúde do líder norte-coreano, levantando-se até a possibilidade da sua morte. Apesar de a Coreia do Norte e o regime que a amordaça serem verdadeiras incógnitas, o regime pretende, com este lançamento, mostrar ao mundo a sua vitalidade. Com efeito a Coreia do Norte é um país pobre, liderado por um lunático, descendente de uma família de déspotas e que aposta tudo no fortalecimento militar, deixa...

Entre o Dalai Lama e a China

A escolha, para a África do Sul, é evidente: as boas relações entre a África do Sul e a China são para se manterem incólumes e a presença do Dalai Lama no país poderia por em causa essas boas relações. Por conseguinte, o país africano recusou simplesmente conceder um visto de entrada ao Dalai Lama. A opção foi assim clara, preferiu-se a manutenção dos interesses (económicos, leia-se) sul-africanos a questões consideradas mais abstractas. Não deixa, contudo, de ser curiosa esta atitude por parte das autoridades sul-africanas tendo em conta o passado recente do país - depois de décadas de opressão num regime racista que perdurou até ao princípio da década de 90, a África do Sul recusa a entrada do líder espiritual tibetano. A China, país que tem ganho um nível de influência que acompanha naturalmente o seu crescente poderio económico, tem conseguido cometer verdadeiros atentados aos direitos humanos, com a conivência de países que se renderam aos encantos do dinheiro chinês, mesmo países...

Tibete - 50 anos

Há quem celebre os 50 anos da revolta do Tibete e quem celebre os 50 anos da reforma democrática do Tibete. Estas celebrações tão dispares são sintomáticas de um problema que vai muito para além da semântica. Para a generalidade dos Tibetanos, passaram justamente 50 anos da revolta do seu povo, 50 anos que vivem sob o jugo chinês, 50 anos que o dalai lama se viu forçado ao exílio. Para o regime chinês, estes últimos 50 anos representam uma evolução sem precedentes para o povo do Tibete. O regime chinês propagandeia a existência de um povo feudal e servil que conheceu o caminho do desenvolvimento graças à intervenção chinesa. Pelo caminho ficam os 50 anos de revolta de um povo que não quer viver sob o jugo chinês - 50 anos de um povo diferente, quer do ponto de vista étnico, quer do ponto de vista cultural, do povo chinês. Estes 50 anos de revolta tibetana e de exílio do Dalai lama contaram também com a conivência e cobardia da comunidade internacional. E os próximos anos, sejam eles qu...

Obama e a hegemonia americana

A eleição de Barack Obama não invalida o esforço que a próxima presidência vai empreender no sentido de salvaguardar a posição hegemónica americana. E tanto mais é assim que o recém-eleito Presidente não se coibe de mostrar isso mesmo. A diferença entre Obama e o ainda Presidente Bush prende-se com o estilo e a forma de salvaguardar essa mesma supremacia. O Presidente Bush optou por seguir uma via unilateral, cometendo erros de palmatória como a guerra preventiva e Guantánamo. O resultado foi invariavelmente negativo, com a generalidade da opinião pública a insurgir-se contra os EUA. Obama, por seu lado, parece ter a intenção de adoptar um rumo diferente, mais multilateral, com a intenção de se aproximar dos seus aliados. E se por um lado, Obama mostra quer adoptar outro rumo, em particular no que diz respeito à política externa; por outro, não é menos verdade que o seu grande objectivo vai continuar ser a manutenção do status quo . Em todo o caso, são perceptíveis as mudanças na actua...

Obama e o antiamericanismo

O aparecimento de Barack Obama, a sua candidatura ao partido democrata e a sua nomeação têm contribuído para o refrear dos ímpetos mais antiamericanistas. Isto apesar de Obama ainda não ter sido eleito Presidente dos Estados Unidos. Não se trata apenas de uma animosidade relativamente à Administração Bush, passou-se para a desconfiança que cai sobre o próprio povo americano. Não obstante a diversidade que caracteriza esse mesmo povo, a verdade é que a nomeação de Sarah Palin, candidata à Vice-Presidência ao lado de John McCain, ultraconservadora, serviu para relembrar ao mundo a existência de uma América retrógrada, radical, com laivos de manifesto imperialismo. É essa América que a Europa detesta e que Barack Obama tem feito esquecer. E também é essa América que foi responsável pela guerra no Iraque, pelo fracasso no Afeganistão, pelo enfraquecimento da influência americana, e tem sido em parte incapaz de dar resposta aos efeitos de uma crise económica que ainda assola os EUA e o mund...

Jogos Olímpicos

Os Jogos Olímpicos estão a decorrer num quadro de relativa normalidade. Fala-se muito de desporto, de medalhas, de conquistas, de proezas. Afinal de contas, é mesmo disso que se trata. Pelo meio caíram as críticas ao regime chinês, dando-se maior ênfase à competição propriamente dita. E o mundo acaba por esquecer, momentaneamente ou não, o desrespeito pelos direitos humanos que a China comprometeu-se em melhorar. Já aqui se dissertou sobre a janela de oportunidade aproveitada pela China para mostrar ao mundo a sua modernidade e para mostrar ao povo chinês que o regime se encontra vivo e de boa saúde. Lamenta-se, porém, o silêncio que obnubila a natureza nefasta do regime. A visibilidade dada ao evento foi aproveitada, num primeiro momento, para mostrar ao mundo essa natureza nefasta. Entretanto, os protestos contra a violação dos direitos humanos no Tibete e contra o desrespeito sistemático dos direitos humanos na China deram lugar ao silêncio e, porventura, ao esquecimento. Os Jogos O...

Os melhores jogos de sempre

A frase em epígrafe traduz o desejo do regime chinês relativamente aos Jogos Olímpicos que hoje se iniciam. Aliás, o regime chinês não poupou esforços no sentido de fazer destes jogos uma forma de mostrar ao mundo a modernidade e capacidade de organização de um país que é, no mínimo, controverso. A controvérsia surge na sequência das políticas chinesas no que diz respeito às minorias, nomeadamente o caso do Tibete, mas o ostensivo atropelo aos direitos humanos, a supressão de liberdades, as prisões políticas são mais alguns ingredientes que justificam a existência de um mal-estar colectivo sempre que se fala na China. É neste contexto que o regime chinês pretende mostrar ao mundo um outro lado da China; os Jogos Olímpicos são, assim, uma excelente plataforma para cumprir esse objectivo. Não admira pois que a China pretenda que estes sejam os melhores jogos de sempre, à margem de polémicas e de protestos. Trata-se, em suma, de uma tentativa de lavar uma imagem ne...