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Obama e a hegemonia americana

A eleição de Barack Obama não invalida o esforço que a próxima presidência vai empreender no sentido de salvaguardar a posição hegemónica americana. E tanto mais é assim que o recém-eleito Presidente não se coibe de mostrar isso mesmo. A diferença entre Obama e o ainda Presidente Bush prende-se com o estilo e a forma de salvaguardar essa mesma supremacia. O Presidente Bush optou por seguir uma via unilateral, cometendo erros de palmatória como a guerra preventiva e Guantánamo. O resultado foi invariavelmente negativo, com a generalidade da opinião pública a insurgir-se contra os EUA.

Obama, por seu lado, parece ter a intenção de adoptar um rumo diferente, mais multilateral, com a intenção de se aproximar dos seus aliados. E se por um lado, Obama mostra quer adoptar outro rumo, em particular no que diz respeito à política externa; por outro, não é menos verdade que o seu grande objectivo vai continuar ser a manutenção do status quo.

Em todo o caso, são perceptíveis as mudanças na actual ordem mundial que, apesar de continuar a ser dominada pelos EUA, vão continuar a impor-se. Países como a China (que ambiciona alterar radicalmente a actual ordem mundial), a Índia, o Brasil, a Rússia, vão crescer em influência, ameaçando, deste modo, esta ordem actual que é dominada pelos EUA. O maior desafio de Obama está intimamente ligado à manutenção da actual ordem mundial. Para alcançar esse objectivo, o próximo Presidente americano terá de salvaguardar a sua superioridade económica e tecnológica que são indissociáveis da sua supremacia militar e política. A actual crise economica é uma ameaça ao bem-estar dos americanos, mas é também uma forte ameaça à supremacia americana.

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