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Mensagens

Para onde vai o socialismo em Espanha?

O PSOE, representante máximo do socialismo democrático em Espanha, encontra-se a caminho do abismo, depois de uma debandada de membros da Comissão Executiva. A razão, pelo menos aquela mais óbvia, prende-se com a incapacidade do partido em encontrar soluções que permitissem desatar o nó que parece cada vez mais apertado: o impasse político continua, avizinhando-se novo período eleitoral. E por falar em período eleitoral, o PSOE tem obtido resultados negativos nos períodos eleitorais mais recentes. O impasse é seguramente uma razão de peso a justificar a fragmentação do partido, mas a história do PSOE começa a parecer-se com a história de outros partidos socialistas um pouco por toda a Europa - uma história de traição aos seus próprios valores. Salvo raras excepções - onde se pode incluir o PS português liderado por António Costa - o socialismo por toda a Europa rendeu-se aos encantos dos mercados liberalizados, às malogradas terceiras vias e afins. Pelo caminho o socialismo foi fica...

Ainda Donald Trump

Apenas o facto de Donald Trump ter chegado politicamente onde chegou é suficientemente inquietante para merecer uma profunda reflexão. Mesmo supondo que o candidato republicano não chega a Presidente dos Estados Unidos. O que é que se passa com a democracia americana para da mesma ter brotado um ser tão inexoravelmente vazio de ideias como Donald Trump? Com a agravante de conter em si mesmo tudo aquilo que não deve caracterizar um líder político: boçalidade, ausência de princípios democráticos, xenofobia... a lista é infindável. A existência de criaturas como Trump não é obviamente inédita, mas contrariamente ao que se tem passado na história das democracias ocidentais. essas criaturas não chegam ao lugar politicamente mais relevante. Pululam pela finança e pelos negócios, com maior ou menor sucesso, mas sem conseguirem chegar a cargos como o de Presidente de um país como os EUA. Trump, sem grande apoio dos poderes habituais, aproveita-se disso e apresenta-se como sendo o candida...

Primeira vitória

E espera-se que seja a primeira de muitas, até à vitória final. Refiro-me, claro, ao primeiro debate que colocou frente a frente Hillary Clinton e Donald Trump. Num momento em que, apesar de todo o espectáculo, exige-se preparação e seriedade e em que Trump não teve hipótese. A candidata democrata mostrou estar à frente no que toca às exigências que o cargo implica. Todavia, e apesar da sondagem da CNN dar uma clara vitória a Clinton - mais de 60% dos inquiridos consideraram que a candidata democrata venceu o debate -, nada está garantido: faltam dois debates e a estranha possibilidade de um número significativo de americanos escolherem Trump para seu Presidente. Talvez Thomas Picketty volte a acertar em cheio: é mais fácil escolher como inimigo os imigrantes, os estrangeiros, aqueles que são, de alguma forma, diferentes de nós, do que o capitalismo selvagem que nos oferece nada mais do que pobreza, desemprego e a mais abjecta ausência de perspectivas. A isto acresce uma forte dose ...

Uma semana repleta de peripécias

Podemos considerar que a última semana foi repleta de peripécias: o livro de José António Saraiva, "Eu e os Políticos", o regresso de Sócrates e por aqui ficamos... é suficientemente profuso; é suficientemente negativo. Sobre o primeiro pouco posso dizer, desde logo pela manifesta dificuldade em abrir o livro, o que, no meu caso, é situação inaudita. Talvez ainda o faça por imperativos da própria crítica: não a posso fazer sem conhecimento de causa. Contrariamente a outros que aceitam convites de apresentação sem fazerem ideia do que vão apresentar. Todavia, e por aquilo que já se conhece do livro, a coscuvilhice é a prata da casa, provocando um desconforto generalizado. Paralelamente, comparar a mera coscuvilhice a casos como o "wikileaks" é, no mínimo, risível. E depois José Sócrates, apenas dizer que depois do que se passou nos últimos anos, o país não precisa de um regresso de José Sócrates. Agora inicia-se uma nova semana. A ver vamos se com menos peri...

Afinal a sarjeta não é o lugar mais recomendável

Passos Coelho que afirmava não ser pessoa de voltar atrás na palavra e "dar o dito pelo não dito", afinal fez precisamente o contrário do que apregoou, pedindo ao ilustre autor do livro "Eu e os Políticos" que o desobrigasse. A editora, outrora conceituada, considera que nem sequer estão reunidas as condições para haver alguma apresentação. Assim, Passos Coelho livra-se de uma tarefa que nada abonaria a seu favor. Até porque é facilmente compreensível que a sarjeta não é o lugar mais recomendável, sobretudo para quem ainda anseia pelo cargo de primeiro-ministro. Mas este retrocesso não se justifica com a natureza ignóbil do livro em questão, mas sim com esta curiosa "desobrigação". É evidente que a polémica que se estava a instalar terá obrigado Passos Coelho a rever a sua posição, embora nunca venha a admitir que a sua associação a um livro que pretende chafurdar na vida de vivos e de mortos não fosse a melhor opção.  Seja como for, ficou a intençã...

Espalhar o medo e a mentira

A comunicação social está repleta de seres cuja única função parece ser espalhar o medo e a mentira, sobretudo desde que o Governo PS, apoiado por BE, PCP e Verdes, tomou posse. Tudo terá piorado quando começou a ser visível a viabilidade desta solução política. Primeiro acenaram-nos com as trevas que BE e PCP trariam consigo; depois avisaram-nos que os resultados económicos seriam desastrosos; agora alertam-nos para o facto deste Governo estar a ser apoiado por forças anticapitalistas que estão a envidar todos os esforços para instaurar uma espécie de ditadura socialista. Pega-se num discurso de Mariana Mortágua, deturpando essas palavras e acusa-se a deputada do BE de querer "atacar as poupanças dos portugueses", quando na verdade o discurso tinha como alvo aquele famigerado 1 % acumulador de capital. Os mais ricos, portanto, mas tudo visto como um ataque ao capitalismo. A continuar assim não faltará muito tempo para o dia do juízo final e o PS apoia tudo. É claro que...

O caminho termina na sarjeta

Acontece frequentemente a quem perde o norte - acabar o seu caminho na sarjeta. Só assim se explica qualquer associação a um livro que pretende vender histórias íntimas de políticos, mesmo daqueles que faleceram. Já ouvimos falar de jornalismo de sarjeta e sabemos que existem livros que se enquadram igualmente nessa categoria. Sabemos também que existe quem faça do desrespeito pelo outro e, amiúde pelo próprio, uma forma de ganhar notoriedade. Porém quando vemos um político terminar o seu caminho na sarjeta - um político que em tempos pediu contenção e respeito à comunicação social precisamente para salvaguardar a sua vida privada - torna-se difícil esconder o incómodo. Passos Coelho, antigo primeiro-ministro e alguém que visivelmente não está confortável no lugar de líder do maior partido da oposição, é, indiscutivelmente, livre de fazer o que entender. No entanto, ao associar-se ao livro de António José Saraiva que vive do desrespeito pela intimidade do outro, alinha pela mesma ...