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Mensagens

Cenários longe da tragédia anunciada

Já por aqui abordámos as potenciais dificuldades que o Governo de António Costa enfrentará. Está na altura de exercitarmos uma tentativa de vislumbre dos pontos positivos que podem favorecer o Governo que agora inicia funções. Os acordos entre as esquerdas e a sua necessária solidez são um factor essencial para a estabilidade de futuro deste Governo. Os primeiros sinais são positivos - a união no Parlamento existe, quer em matérias de adopção ou o fim dos exames no quarto ano. Sendo certo que os principais desafios estão ainda por ser ultrapassados, não deixa de ser relevante o consenso já revelado pelas esquerdas - o que significa um aspecto positivo e determinante. Este cenário é também interessante para a própria democracia: um governo que necessita de constante negociação; um Parlamento com uma importância que havia sido entretanto esquecida. Por outro lado, os factores externos: a começar pelas baixas taxas de juro. 2015 foi um ano excepcional e apesar da volatilidade inerent...

Velhacaria até ao fim

O pior Presidente da República da história da democracia não perde uma oportunidade para demonstrar que a velhacaria não tem fim. Uma velhacaria que se acentuou com o surgimento de uma solução política de esquerda, encabeçada por António Costa. Cavaco Silva tem, aliás, dois problemas que sempre o acompanharam politicamente: um é a já supracitada velhacaria; o outro prende-se com os interesses que foram essenciais para a sua ascensão e que Cavaco procura a todo o custo salvaguardar; interesses que são coincidentes com aqueles defendidos por Passos Coelho durante estes quatro anos. A tomada de posse do XXI governo constitucional poderia ter decorrido dentro do habitual contexto de normalidade não fosse, claro está, a ameaça de Cavaco Silva. Ora, o Sr. Silva, a escassos meses de abandonar o cargo, não se coibiu de deixar uma ameaça no ar: a demissão do Governo agora empossado, mesmo não podendo dar posse a qualquer outro que seria de imediato inviabilizado pela Assembleia da Repúbl...

Dificuldades

Depois da tomada de posse do XXI governo constitucional liderado por António costa, ninguém estará seguramente à espera de facilidades e muito menos o próprio. Desde logo continuamos a não enfrentar os elefantes na sala: a Europa, a Zona Euro, a dívida. Os partidos (com algumas excepções) evitaram fazê-lo na campanha eleitoral. Com efeito, o nosso destino não está, como se sabe, inteiramente nas nossas mãos, muito longe disso. Todavia, a mudança de postura do Governo português nas instâncias europeias será um desenvolvimento importante que terá consequências opostas às que temos conhecido. Pelo menos, deixaremos de ver os nossos representantes políticos apostados em alinhar com a Alemanha no esmagamento de países, como se passou com a Grécia. Não estou a ver Mário Centeno ou António Costa sentarem-se ao colo de Shaüble. Mas as dificuldades também se sentirão por cá. Desde logo com a comunicação social - tão próxima da direita. Não me parece plausível assistir a uma mudança acentuada...

Fim de um ciclo

Cavaco Silva,  a muito custo e depois de colocar todas as dificuldades, não teve outro remédio que não fosse indigitar António Costa. Assim, o país terá um novo Governo do Partido Socialista apoiado, no Parlamento, por Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e Partido Ecologista "Os Verdes". A alternativa seria um Governo de gestão, visto de um forma geral como uma solução desastrosa. A notícia é boa porque significa um virar de página, não à austeridade - essa continuará de forma mais suave - mas à forma de fazer política. Passos Coelho e o seu séquito inauguraram uma nova forma de fazer política: contra tudo e contra todos, a começar pela própria constituição da República, sempre a coberto do pensamento único assente na premissa de que não há alternativa. Essa forma de fazer política revestiu-se de outras características: a mentira, sempre a mentira; a incompetência generalizada - a mediocridade não permite outra coisa que não seja a incompetência. Foram tantos ...

Da ingenuidade

Ia jurar que vivíamos num sistema semi-presidencialista, com forte preponderância da Assembleia da República. Vivi anos convencida que era da Assembleia da República que saíam os governos. Pensava também que ao Presidente da República não cabia a tarefa de examinar programas políticos ou acordos entre partidos e, na minha ingenuidade, acreditava que esses programas ou acordos não passavam pelo crivo do Presidente da República. Estava enganada. O regime, na óptica de Cavaco Silva, é Presidencialista, a Assembleia da República tem muito menos importância que se imaginava e os programas políticos e acordos têm mesmo de passar pelo crivo do Presidente da República que escolhe o que mais lhe apraz. Não espanta pois que Cavaco Silva ainda não tenha indigitado António Costa, preferindo passar-lhe trabalhos de casa, com o objectivo claro de minar os acordos firmados entre PS/BE/PCP e PEV. Cabe ao PS e aos restantes darem garantias ao Presidente da República; a existência de acordos entre os...

A tradição já não é o que era

A demora do Presidente em tomar uma decisão mais não é do que uma forma de inquinar a democracia representativa e porquê? Porque se se tratasse de uma solução exactamente com os mesmos contornos, mas envolvendo partidos do chamado arco de governação, tudo estaria já resolvido. Com efeito, PCP, PEV e BE são vistos como elementos estranho num corpo - elementos que seriam e têm sido naturalmente rejeitados. As palavras do Presidente traduzem isso mesmo. Todavia, esquece-se que esse corpo não interpreta PCP, PEV e BE como elementos estranhos. Parte do povo chega mesmo ao ponto de escolher esses ditos elementos estranhos. Só assim se explica a insistência do Presidente em dar a palavra a todos os que rejeitam esses elementos, os mesmos que têm beneficiado de um sistema inquinado, deliberadamente inquinado, refém da eterna solução PSD/PS/CDS: banqueiros, empresários, consultoras e alguns economistas que agem como se eles próprios - e só eles - fossem o corpo que rejeita os elementos est...

Conjecturas

A indefinição do Presidente da República, aliada a uma exasperação e desespero da direita, resulta numa profusão de conjecturas. Todos especulam, todos arriscam exercícios de futurologia, todos caem em profecias inconsequentes, desde o governo de gestão, passando pela indigitação de António Costa e culminando num hipotético Governo de iniciativa presidencial. Cavaco Silva preferiu a indefinição, escolheu uma retórica nada adequada a um Presidente da República e, pelo menos na Madeira, tentou mostrar a sua boa disposição quer com douradas, quer com bananas, o que é próprio de alguém que perdeu por completo o pouco respeito que tem pelos cidadãos. Tudo para proteger os seus apaniguados – os mesmos que aldrabam compulsivamente - veja-se a questão da sobretaxa. Pura aldrabice, Já resta pouco a dizer deste Presidente que não acabará o seu mandato com qualquer dignidade, mas antes com o raciocínio tolhido pelas suas preferências, caindo invariavelmente no ridículo de colocar os seus pre...