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Mensagens

Degradação da imagem da Igreja Católica

As últimas semanas têm sido devastadoras para a imagem da Igreja Católica. O surgimento de uma multiplicidade de escândalos de pedofilia envolvendo membros da Igreja espoleta uma crise que há muito que não se via no seio do catolicismo. A passividade e os sucessivos encobrimentos de casos de crianças vítimas de actos pedófilos perpetrado por membros da Igreja corrói inexoravelmente a sua imagem e credibilidade, e mais grave, põe em causa a confiança que a Igreja tem criado com um vasto rol de fiéis. Com efeito, a fé dos crentes poderá sair incólume desta situação, mas tenho dúvidas que o mesmo aconteça relativamente aos representantes do catolicismo. Afinal de contas, até o próprio Papa Bento XVI terá sido displicente - para usar um eufemismo - com os inúmeros casos de pedofilia; a prioridade sempre foi salvaguardar os membros da Igreja envolvidos nos escândalos. Essa prioridade não se coaduna com os príncipios que deveriam ser a base do catolicismo. A difícil relação que...

Liberdade na Madeira

As notícias que vêm da Madeira e que mostram os tiques autoritários e pouco democráticos do Presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, são novamente preocupantes. A recusa em levar a cabo um inquérito à liberdade expressão, recusa essa do PSD/Madeira, é mais um sinal da difícil convivência do PSD/Madeira com as liberdades fundamentais. Vem tudo isto a propósito de um inquérito realizado a jornalistas da região e que revela o desconforto cada vez menos latente de uma classe profissional que tem sido muito mal tratada. O problema não se esgota nas tentativas de limitar ou manipular a comunicação social, o problema também é o silêncio ensurdecedor de quem tem responsabilidades políticas no continente. Não há um comentário sobre esta situação por parte do PSD e a ex-líder do partido não se coibiu de olhar para o regime de Alberto João Jardim e compará-lo a uma democracia, usando mesmo o termo "exemplo". A nova direcção do PSD parece menos interessada em se...

Uma nova fase para o PSD

Com a vitória de Pedro Passos Coelho, que começa hoje a trabalhar como líder do partido , abre-se uma nova fase no PSD, talvez agora com o mínimo de estabilidade. O PSD abre esta nova fase da sua vida interna quando o contexto do país é de acentuada instabilidade económica, política e social. O PSD vive dividido entre aquilo que alguns consideram a estabilidade do país que passa pela estratégia de não ser responsável pela queda do Governo socialista; e outros que acreditam que, em particular depois da apresentação do PEC, o PSD deve distanciar-se inexoravelmente do Governo e se isso significar instabilidade política que o seja. Será neste segundo grupo que o novo líder do PSD se insere, embora no seu discurso da vitória, tenha optado por um tom mais moderado. Os próximos tempos serão de oportunidade para Passos Coelho mostrar de que forma é que vai coexistir com o Governo, e de que modo é que vai conseguir captar o eleitorado que, tradicionalmente, não vota PSD. Mas...

Casa Pia e precariedade

Alguns canais de televisão noticiaram o caso de uma jovem que, depois de ter sido mãe, voltou para um trabalho que já não existia . Isto passou-se numa instituição pública, cuja natureza é intrínseca à solidariedade social. Além deste paradoxo inquietante, importa saber que a jovem em questão trabalhou para a instituição Casa Pia de Lisboa durante mais de 13 anos, sempre em condição de grande precariedade. Dir-se-á que se trata de um caso que não é frequente na Função Pública, mas infelizmente é. E tanto mais é assim quando se verifica o recrudescimento do trabalho precário na Função Pública durante estes últimos anos. Para além da precariedade propriamente dita que, infelizmente, é profusa também no sector do Estado - contrariamente à ideia que se instalou de quem tem um trabalho no Estado está numa posição confortável -, a situação torna-se chocante por se tratar de alguém que é considerada como sendo uma funcionária exemplar, que foi mantida em situação precária durant...

Sob o signo da chantagem

Hoje discute no Parlamento o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) do Governo. Ontem a agência de notação financeira Fitch cortou o rating português, passando de AA para -AA. O ministro das Finanças aproveitou a deixa para exercer maior pressão sobre o PSD no sentido deste votar favoravelmente ao PEC, isto numa altura em que se sabe que todos os restantes partidos da oposição vão manifestar a sua recusa em aceitar este PEC, designadamente o projecto de resolução. O Governo, na figura do ministro das Finanças, adoptou uma estratégia que poderá surtir efeito: passar o onús da estabilidade económica e até política para o PSD que se encontra numa fase de profunda indecisão - os quatro candidatos à liderança do partido vão a votos amanhã. O Governo e o PS transformam assim uma situação profundamente desconfortável, numa outra em que os olhos do país estão fixados no PSD. Pelo caminho o país assistiu a um Governo que quando se referia ao PEC, oscilava entre a pura menti...

Reformar o Estado

Os candidatos à Presidência do PSD têm insistido na necessidade de rever as funções do Estado e na emergência de se reformar o Estado. O certo é que o Governo de José Sócrates falhou clamorosamente na tarefa de trazer mais eficiência e retirar custos ao Estado. Acresce a esse falhanço a promiscuidade que existe entre poder político e sector empresarial privado. O resultado é o avolumar de críticas ao funcionamento do Estado e às suas funções, havendo quem não resista em pugnar pela redução do peso do Estado que se traduz numa verdadeira redução de funções e de influência. É esta ideia que subjaz ao discurso do candidato à liderança do PSD, Pedro Passos Coelho. Não se trata de agilizar o funcionamento do Estado, voltando ao essencial das funções do Estado – estar ao serviço dos cidadãos. A ideia que subjaz ao discurso de Passos Coelho raia a liquidação do Estado-Providência. Sublinhe-se que este discurso parece colher simpatias, para já no PSD, num momento em que a cris...

Europa da solidariedade

As dificuldades que a economia grega tem atravessado põem em evidência a inexistência de coesão no seio da União Europeia . Desde logo, compreende-se o vasto rol de críticas que incide sobre a irresponsabilidade dos responsáveis governativos que deixaram a Grécia próxima da falência. Quanto à irresponsabilidade dos governos gregos não restam dúvidas. Mas chegarmos ao ponto de propor que a Grécia abandone a zona Euro, recusando qualquer espécie de ajuda esbarra nos princípios fundadores da União Europeia. Insiste-se no argumento que se a Grécia for ajudada, abre-se um precedente; a partir dessa ajuda, outros países poderão ser mais displicentes com o rigor orçamental porque sabem que, em última instância, haverá quem os ajude. Por outro lado, existe também o argumento que se prende com os princípios da própria zona Euro - uma união económica e monetária forte necessita de contas públicas saudáveis - e que foi posto em causa pela Grécia. Embora os argumentos acima indicados...