Avançar para o conteúdo principal

O prenúncio de um desastre à direita

A campanha para as eleições de 6 de Outubro já está na rua, mas ninguém, à direita, consegue esconder o desastre que se anuncia. E nem sequer é necessária muita atenção para se perceber o peso que esmaga ambas as candidaturas, a do CDS e sobretudo a do PSD.
Assunção Cristas, sem saber para que lado se virar desde que Rio assumiu a liderança do PSD, procura assegurar que não perde votos. Convencida de que o CDS estará longe de aumentar o número de votos, tudo se resume agora a não perder e, sobretudo, a não perder por muito.
Rui Rio, por sua vez, incapaz de se fazer sequer compreender, vai piscando o olho ao Partido Socialista, convencido que essa será a sua derradeira hipótese de conservar o lugar. No entanto, é também evidente que Rio não se manterá na liderança do PSD em qualquer um dos casos: o de perder clamorosamente as eleições e aquele ainda menos provável que seria uma hipotética aliança com o PS. A primeira hipótese dispensa fundamentação e a segunda prende-se com a mais do que óbvia insatisfação das hostes sociais-democratas, sobretudo entre os apaniguados de Passos Coelho e do seu liberalismo de trazer por casa que nunca olhariam com bons olhos para uma aliança com o PS.
Cereja em topo do bolo: sondagens e os estragos que as mesmas podem fazer em candidaturas gastas e condenadas como são aquelas do CDS e PSD.
Consequentemente, apenas se consegue vislumbrar um desastre no horizonte. Até lá, Cristas estará a rezar para que o CDS não se transforme no partido da trotinete e Rio para que o resultado do PSD não fique abaixo de uns humilhantes 20 por cento.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Dança das cadeiras com a Alemanha a mandar

A Alemanha voltou a mostrar quem manda na União Europeia, desta feita através de uma jogada política de última hora que, na prática, resultará na escolha de Ursula Von Der Leyen para o cargo de Presidente da Comissão Europeia, substituindo Jean-Claude Junker. A jogada de Merkel deixou os socialistas exasperados por não cumprir o sistema de escolha de um dos Spitzenkandidaten, cabeças de lista. A escolha de Ursula Von Der Leyen que contará com alguma oposição (vamos ver quanta) no Parlamento e a escolha de Lagarde para o BCE são derrotas para os socialistas europeus, mas também deixam um sabor amargo na boca dos cidadãos europeus que assistem a estes golpes encabeçados por países como a Alemanha e a França e seus acólitos, tudo em manifestações pouco consonantes com a democracia. Estas escolhas demonstram uma vez mais que na dança das cadeiras é a Alemanha que manda numa Europa à deriva, a milhas de distância dos seus cidadãos.

Um desastre climático por semana

A frase em epigrafe foi proferida por Mami Mizoturi, representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas - "um desastre climático por semana". Torna-se impossível não perceber a gravidade das alterações climáticas quando o ritmo dos desastres climáticos é tão acelerado.
Ora, este responsável acrescenta ainda que "as alterações climáticas não são do futuro, acontecem hoje". Isto depois do próprio secretário-geral das Nações Unidas ter feito capa da Time dentro de água, desalentado. O desespero é evidente.
A estratégia sugerida passa, desde já, por mais investimento em infra-estruturas, ou seja procurarmos uma adaptação às mudanças. Já.
No meio de cenários tão desoladores, encontramos ainda assim uma boa notícia: a cada vez maior visibilidade e assimilação do problema, o que implicará uma maior pressão, uma militância mais acérrima e uma maior exigência de uma inexorável mudança.
Está a chegar o dia em que líderes como Trump deixem d…