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O que é que se passa connosco?

Os números assustadores que indicam que 12 mulheres foram assassinadas pelos companheiros/maridos/familiares em pouco mais de dois meses não podem deixar ninguém descansado e merecem uma profunda reflexão individual, mas sobretudo colectiva - mas afinal que raio se passa connosco? Como é que estudos elaborados no contexto de adolescentes e jovens e que revelam uma realidade inquietante de aceitação da violência no namoro não têm qualquer espécie de consequência?
É evidente que não chega endurecer a lei, nem será suficiente que juízes como Neto de Moura seja impedidos de julgar processos desta natureza (esse devia ser impedido de julgar o que quer que seja), nem chega declarar dias de luto nacional, quando perante estudos que indicam a normalidade com que se encara a violência no namoro entre adolescentes e jovens tudo fica na mesma - levantamos a sobrancelha, na melhor das hipóteses.
Alguma coisa se passa connosco quando aceitamos estes retrocessos civilizacionais, quando nos afundamos na mais abjecta passividade ou simplesmente não queremos saber.
O estudo Violência no Namoro 2019, realizado pela UMAR, revela que 58% dos jovens já foram vítimas de violência e 67% considera isso natural. Em 2019, em apenas dois meses, 12 mulheres foram assassinadas. Talvez colocando uma frase junto à outra tudo faça finalmente algum sentido.

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