Avançar para o conteúdo principal

O eleitoralismo incomoda, mas só agora

A medida dos passes promovida pelo Governo e apoiada pelos restantes partidos da esquerda é eleitoralista? Obviamente. Mas quem nunca pecou que atire a primeira pedra e o facto da direita só ter acordado para o assunto agora é sintomático da inépcia que reina para aqueles lados.
Perante a tibieza do argumento do eleitoralismo da medida, apregoa-se a injustiça da mesma. Afinal de contas quem paga a factura é o Estado e os beneficiados são os do costume: Lisboa e Porto. Na verdade, quem ganha é todo o país que incentiva a utilização de transportes públicos, com as também óbvias vantagens ambientais para todos.
Paralelamente, com esta medida que abrange todo o país, os valores a pagar pela utilização de transportes públicos regularmente finalmente aproxima-se do comportável, incentivando aqueles que já utilizam os transportes públicos a continuar com essa utilização e aqueles que ainda não o fazem a recorrer à aritmética para perceber o quão mais barato é essa utilização, comparativamente com o recurso ao automóvel particular.
A direita desnorteada poderia, isso sim, insistir na argumentação que postula a escassez e ineficiência das redes de transportes públicos. Em rigor, anda tudo a rebentar pelas costuras sobretudo nas áreas metropolitanas, como será quando mais pessoas adoptarem os transportes públicos regularmente? Este é o argumento mais sólido para criticar a medida do Governo.
Ainda assim, e no cômputo geral, esta é uma medida de grande importância, não só para a vida de cada um dos utilizadores, mas sobretudo para a vida em conjunto num país que seguramente quer estar na linha da frente do combate às alterações climáticas. Este é um bom princípio.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...