Avançar para o conteúdo principal

Merkel e o seu contributo para a consolidação da democracia europeia

Angela Merkel, considerada agora como liderando o grupo de grandes arautos da Europa democrática, anunciou o seu abandono do seu partido, CDU.
Ainda não tendo abandonado quer o partido, quer o próprio cargo de chanceler que, ao que tudo indica, é mesmo para levar até ao fim, já há quem lamente a saída da maior figura democrata da Europa recente.
Para a construção dessa imagem muito tem contribuído uma inacreditável falta de memória ou, uma incapacidade de relacionar as decisões tomadas, sobretudo na esfera económica, e um afastamento cada vez mais notório dos cidadãos relativamente aos políticos e aos partidos convencionais. 
Merkel e o seu governo, liderando uma Europa que continua a ser acéfala, humilharam Estados-membros da UE, empurrando-os ainda mais para a miséria, depois de anos e anos a despejarem nesses mercados o que se produzia na Alemanha, dando um forte contributo para o endividamento dos países que mais tarde viriam a ser alvo da humilhação.
Ora, neste contexto considerar a chanceler alemã como o melhor exemplo de democrata é simplesmente desonesto. A sua acção política, que contou com a participação central do inefável Schäuble, deu uma forte machadada no projecto europeu de democracia, ou alguém pode esperar que esse projecto subsista quando não existiu o mínimo de coesão? 
De resto, muitos almejaram uma Europa como antídoto contra as divisões e contra as ideologias mais nefastas. Merkel, ao contrário do que por aí dizem, não protegeu a Europa dessas investidas anti-democráticas, bem pelo contrário, ao humilhar, ao desprezar e ao cuspir em cima de alguns Estados-membros deu um forte contributo para o enfraquecimento do próprio projecto europeu.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...