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Cultive-se ignorância

Os incêndios na Califórnia e a disparatada ira do Presidente americano são claras lembranças de que, por muito que desprezemos a ciência e o conhecimento, não somos poupados às catástrofes, mas claramente não estamos preparados, e alguns nem sequer conscientes ou dispostos a tudo fazer para evitar novas catástrofes.
Trump lançou um anátema sobre aqueles que estudam o impacto das alterações climáticas provocadas pelo homem. Em rigor, Trump, a que se junta agora Bolsonaro, vivem na ignorância, movimentam-se livremente nela e, naturalmente, promovem-na. A ciência e o conhecimento são vítimas dos Trumps e afins porque para além de mostrarem todo o esplendor da sua ignorância, inviabilizam o discurso fácil e populista que tanto tem servido os seus interesses. E, importa não relevar, existe quem se mostre disposto a comprar esse discurso de bom grado.
Consequentemente, cultive-se a ignorância, por mais irresponsável que seja, permite retirar dividendos políticos, depois de anos de desinvestimento na educação e do recente deslumbramento com a tecnologia, um deslumbramento que não seria assim tão nefasto se não se esgotasse em si mesmo.

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