Avançar para o conteúdo principal

O desinteresse pela cultura e uma perda incomensurável



O vice-director do Museu Nacional no Rio de Janeiro que sucumbiu a um incêndio responsabilizou a classe política pelo sucedido, designadamente pela sua falta de interesse e pela incúria. o Presidente Michel Temer lamentou e falou "em dia triste para todos os brasileiros". O certo é que 200 anos de História desapareceram assim, num ápice. Uma perda dolorosa e incomensurável.
A comunicação social refere que o Museu ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro sofria cortes orçamentais há pelo menos três anos. A falta de apoio por parte do Estado parece assim difícil de refutar. O desinteresse por parte de uma classe política corrupta e pouco apologista de tudo o que cheire a cultura nem sequer participou nas comemorações dos 200 anos da instituição, adiantou o vice-director, Dias Duarte.
Este é o caso talvez mais gritante de desprezo pela cultura, mas há mais e não estão naturalmente apenas confinados ao Brasil. Existe ainda um paradoxo interessante: por uma lado, a cultura está na moda, ou pelo menos fica bem falar em cultura e sobretudo em investimento na cultura; por outro na sociedade de consumo, na sociedade do instantâneo, poucos parecem dispostos a fazer mais pela cultura - palavra que parece conter em si mesma um mundo de possibilidades que poucos parecem dispostos a explorar. 
De resto, não se podia esperar mais de políticos, que salvo algumas honrosas excepções, estão mais preocupados com o que se passa em torno do seu próprio umbigo que na verdade é o seu horizonte, não existindo mais para além disso. Agora chora-se a perda "incalculável" referida pelo Presidente Temer, para amanhã, ou no dia depois de amanhã tudo continuar essencialmente na mesma.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Dança das cadeiras com a Alemanha a mandar

A Alemanha voltou a mostrar quem manda na União Europeia, desta feita através de uma jogada política de última hora que, na prática, resultará na escolha de Ursula Von Der Leyen para o cargo de Presidente da Comissão Europeia, substituindo Jean-Claude Junker. A jogada de Merkel deixou os socialistas exasperados por não cumprir o sistema de escolha de um dos Spitzenkandidaten, cabeças de lista. A escolha de Ursula Von Der Leyen que contará com alguma oposição (vamos ver quanta) no Parlamento e a escolha de Lagarde para o BCE são derrotas para os socialistas europeus, mas também deixam um sabor amargo na boca dos cidadãos europeus que assistem a estes golpes encabeçados por países como a Alemanha e a França e seus acólitos, tudo em manifestações pouco consonantes com a democracia. Estas escolhas demonstram uma vez mais que na dança das cadeiras é a Alemanha que manda numa Europa à deriva, a milhas de distância dos seus cidadãos.

Um desastre climático por semana

A frase em epigrafe foi proferida por Mami Mizoturi, representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas - "um desastre climático por semana". Torna-se impossível não perceber a gravidade das alterações climáticas quando o ritmo dos desastres climáticos é tão acelerado.
Ora, este responsável acrescenta ainda que "as alterações climáticas não são do futuro, acontecem hoje". Isto depois do próprio secretário-geral das Nações Unidas ter feito capa da Time dentro de água, desalentado. O desespero é evidente.
A estratégia sugerida passa, desde já, por mais investimento em infra-estruturas, ou seja procurarmos uma adaptação às mudanças. Já.
No meio de cenários tão desoladores, encontramos ainda assim uma boa notícia: a cada vez maior visibilidade e assimilação do problema, o que implicará uma maior pressão, uma militância mais acérrima e uma maior exigência de uma inexorável mudança.
Está a chegar o dia em que líderes como Trump deixem d…