Avançar para o conteúdo principal

Centeno e as tristes figuras

Mário Centeno, Presidente do Eurogrupo, desperdiçou uma oportunidade para se dedicar ao tão precioso silêncio. Ao invés, o também ministro das Finanças português, destilou uma assinalável multiplicidade de ideias pré-concebidas que apenas reforçam uma ideia errada quer da Grécia que saiu do programa por défice excessivo, quer da própria UE, designadamente do conjunto de países que integram a zona euro e que se dedicaram não só a destruir um país, como dedicaram-se igualmente a um infindável conjunto de exercícios de humilhação desse mesmo Estado-membro.
A celebração encabeçada por Centeno é simplesmente ridícula. Não há nada para celebrar, antes pelo contrário, este deveria ser um momento aproveitado para reflexão da própria UE, isto se a ideia for ainda manter e consolidar o projecto europeu. De resto, a própria Grécia continua a viver um verdadeiro pesadelo sem que as instituições europeias demonstrem sequer um laivo de preocupação, apenas exercícios de auto-indulgência que ficam sempre mal, a quem quer que seja, mas sobretudo a quem ajudou a cavar, descaradamente, a sepultura do outro.
Paralelamente, Centeno, antes da viragem para o Eurogrupo, sempre se manifestou contra as políticas europeias, pejadas de uma austeridade que estranhamente tanta gente excitou, quer em relação a Portugal, quer em relação à Grécia. Agora, presta-se a esta triste figura. Acredito que Centeno não terá mudado de ideias, simplesmente terá também ele sofrido um “ajustamento”.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Dança das cadeiras com a Alemanha a mandar

A Alemanha voltou a mostrar quem manda na União Europeia, desta feita através de uma jogada política de última hora que, na prática, resultará na escolha de Ursula Von Der Leyen para o cargo de Presidente da Comissão Europeia, substituindo Jean-Claude Junker. A jogada de Merkel deixou os socialistas exasperados por não cumprir o sistema de escolha de um dos Spitzenkandidaten, cabeças de lista. A escolha de Ursula Von Der Leyen que contará com alguma oposição (vamos ver quanta) no Parlamento e a escolha de Lagarde para o BCE são derrotas para os socialistas europeus, mas também deixam um sabor amargo na boca dos cidadãos europeus que assistem a estes golpes encabeçados por países como a Alemanha e a França e seus acólitos, tudo em manifestações pouco consonantes com a democracia. Estas escolhas demonstram uma vez mais que na dança das cadeiras é a Alemanha que manda numa Europa à deriva, a milhas de distância dos seus cidadãos.

Um desastre climático por semana

A frase em epigrafe foi proferida por Mami Mizoturi, representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas - "um desastre climático por semana". Torna-se impossível não perceber a gravidade das alterações climáticas quando o ritmo dos desastres climáticos é tão acelerado.
Ora, este responsável acrescenta ainda que "as alterações climáticas não são do futuro, acontecem hoje". Isto depois do próprio secretário-geral das Nações Unidas ter feito capa da Time dentro de água, desalentado. O desespero é evidente.
A estratégia sugerida passa, desde já, por mais investimento em infra-estruturas, ou seja procurarmos uma adaptação às mudanças. Já.
No meio de cenários tão desoladores, encontramos ainda assim uma boa notícia: a cada vez maior visibilidade e assimilação do problema, o que implicará uma maior pressão, uma militância mais acérrima e uma maior exigência de uma inexorável mudança.
Está a chegar o dia em que líderes como Trump deixem d…