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Alterações climáticas: e se tivermos já atingido um ponto de não retorno?

Imagine-se Lisboa sem a sua zona ribeirinha, consequência do aumento do nível médio do mar. Consegue-se imaginar? É difícil. O exemplo dado pelo jornal Público serve para ilustrar melhor aos leitores portugueses um cenário que segundo a revista científica PNAS pode muito bem se tornar real.
Recorde-se que a temperatura média da terra tem vindo a aumentar desde, pelo menos os últimos 35 anos, designadamente devido ao já tão conhecido aumento de concentração de dióxido de carbono que resulta da queima de combustíveis fósseis.
No sentido de evitar o pior cenário, praticamente todos os países do mundo chegaram ao Acordo de Paris que determinou que aquecimento global não pode chegar aos dois graus. Porém, o que os cientistas agora preconizam é que essa meta pode muito bem não ser suficiente para travar aquilo que será um verdadeiro cataclismo, uma fatalidade para a Terra: a subida de 5 a 6 graus da temperatura média que transformará o planeta numa estufa "com desertos e savanas em vez de florestas, fenómenos meteorológicos extremos" e a subida do nível médio do mar que "faria desaparecer muitas regiões costeiras incluindo a zona ribeirinha de Lisboa".
Segundo o mesmo artigo, os sistemas naturais que contribuem para travar o aquecimento global podem falhar precisamente com o aumento da temperatura da Terra que resultará na "inversão dessa função".
Da próxima vez que Trump afirmar que as alterações climáticas são uma invenção dos chineses ou que o Tratado de Paris não serve os interesses americanos, imaginem Lisboa sem a sua zona ribeirinha; imaginem a Terra transformada numa savana, com desertos e sem florestas; imaginem os piores fenómenos meteorológicos e lembrem-se que a ignorância aliada ao mais abjecto egoísmo tem um custo incomensurável. E se tivermos atingido já um ponto de não retorno?

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