Avançar para o conteúdo principal

Mário Centeno

Hoje ficaremos a saber se Mário Centeno será mesmo o Presidente do Eurogrupo ou não. Se for o escolhido, levantar-se-ão novas problemáticas, designadamente do ponto de vista do ministério das Finanças, isto apesar de Centeno e do próprio António Costa terem sossegado as almas mais inquietas, garantindo que se pode desempenhar ambas com rigor e eficácia.
Mário Centeno tem sido um bom ministro das Finanças – frase que causa estranheza, raras terão sido as vezes em que podemos efectivamente aplicar aquelas palavras a um ministro das Finanças. O ministro escolhido por Costa para estar à frente das Finanças tem sido tecnicamente irrepreensível – ao ponto de ser reconhecido pelos seus pares europeus – e tem apresentado resultados francamente positivos. Mas para além das suas competências técnicas, Mário Centeno mostra-se humano, o que também é raro entre ministros das Finanças, e para quem não tem memória lembrar apenas que antes de Centeno tivemos um autómato e a incompetência em pessoa disfarçada por um arrogância desmedida.
Creio que Centeno será de facto o ministro escolhido para liderar o Eurogrupo, mas tenho dúvidas quanto à possibilidade do ministro acumular com eficácia as funções. Dir-me-ão que se os seus antecessores conseguiram por que razão Mário Centeno não conseguirá? A ver vamos. Por outro lado, num registo mais positivo, o Sul da Europa terá uma maior representação nos principais órgãos europeus, o que não quer dizer que isso só por si seja factor de maior equilíbrio como se vê pela actuação de Mário Draghi no BCE. Mas a probabilidade de se caminhar no sentido desse equilíbrio será maior.

Quanto a louros, o PSD terá o seu, tal como não devemos descurar o seu papel no facto do Sol brilhar, a terra girar, e aquele passarinho, junto à nossa janela, cantar.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Dança das cadeiras com a Alemanha a mandar

A Alemanha voltou a mostrar quem manda na União Europeia, desta feita através de uma jogada política de última hora que, na prática, resultará na escolha de Ursula Von Der Leyen para o cargo de Presidente da Comissão Europeia, substituindo Jean-Claude Junker. A jogada de Merkel deixou os socialistas exasperados por não cumprir o sistema de escolha de um dos Spitzenkandidaten, cabeças de lista. A escolha de Ursula Von Der Leyen que contará com alguma oposição (vamos ver quanta) no Parlamento e a escolha de Lagarde para o BCE são derrotas para os socialistas europeus, mas também deixam um sabor amargo na boca dos cidadãos europeus que assistem a estes golpes encabeçados por países como a Alemanha e a França e seus acólitos, tudo em manifestações pouco consonantes com a democracia. Estas escolhas demonstram uma vez mais que na dança das cadeiras é a Alemanha que manda numa Europa à deriva, a milhas de distância dos seus cidadãos.

Um desastre climático por semana

A frase em epigrafe foi proferida por Mami Mizoturi, representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas - "um desastre climático por semana". Torna-se impossível não perceber a gravidade das alterações climáticas quando o ritmo dos desastres climáticos é tão acelerado.
Ora, este responsável acrescenta ainda que "as alterações climáticas não são do futuro, acontecem hoje". Isto depois do próprio secretário-geral das Nações Unidas ter feito capa da Time dentro de água, desalentado. O desespero é evidente.
A estratégia sugerida passa, desde já, por mais investimento em infra-estruturas, ou seja procurarmos uma adaptação às mudanças. Já.
No meio de cenários tão desoladores, encontramos ainda assim uma boa notícia: a cada vez maior visibilidade e assimilação do problema, o que implicará uma maior pressão, uma militância mais acérrima e uma maior exigência de uma inexorável mudança.
Está a chegar o dia em que líderes como Trump deixem d…