Avançar para o conteúdo principal

O PS não sabe comunicar

Para celebrar dois anos de Governo, o PS escolheu as piores opções, todas elas com cheiro a demagogia e a artificialidade, com especial destaque para a sessão de perguntas e respostas, previamente congeminadas e sem um laivo de originalidade.
A forma atabalhoada como o PS escolheu celebrar os dois anos de Governo revela a incapacidade deste partido no que diz respeito à comunicação - facto particularmente penalizador para um partido político.
Este é, aliás, talvez o maior problema do Partido Socialista - não tem uma estratégia de comunicação, nem protagonistas para executarem essa estratégia. A excepção parece ser Pedro Nuno Santos. 
De qualquer modo a comunicação é, amiúde, enviesada, manipulada e mais não é do que pura propaganda, descaradamente. De resto, o facto dos inquiridores terem sido pagos nem é o que ficará na memória das pessoas, mas sim o facto de que, globalmente, o PS é um desastre em matéria de comunicação.
Em contrapartida, o Bloco de Esquerda que faz parte desta solução de Governo que completou agora dois anos, pode dar lições de comunicação ao PS, com protagonistas que sabem comunicar directamente com os cidadãos, sem rodeios e com conteúdo. Aliás e por falar em lições, o Bloco deu outra lição, desta feita no Parlamento e por ocasião da aprovação do Orçamento de Estado,e a propósito da honra associada à palavra dada, coisa que terá sido esquecida pelo Partido Socialista que meteu os pés pelas mãos na votação da sobretaxa nas renováveis. 
O Bloco reforça a ideia de que o PS necessita imperiosamente dos contributos e dos acordos com os partidos mais à esquerda, não apenas para o sucesso da chamada geringonça, mas para menorizar as suas próprias falhas. No entanto, há uma complementaridade que o PS não pode esquecer ou menosprezar, sob pena de comprometer o seu próprio futuro.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...