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Moção de censura

Já são perto de 30, mas quem está a contar? E apenas uma resultou na queda de um Governo - o de Cavaco Silva, não se tendo perdido, verdadeiramente, nada. Agora é a vez do CDS, a reboque da tragédia dos incêndios, procurando vender uma explicação simplista, apanágio da demagogia: a responsabilidade dos incêndios e da tragédia que os mesmos causaram são responsabilidade do Governo de António Costa, desde logo porque em quatro meses - desde Pedrogão - não se fez o que em quatro décadas não se tem feito.
Assunção Cristas, líder do partido desde a saída do famigerado Paulo Portas, tem-se sentido bem. Com um PSD apagado e em transição, o CDS procura crescer, mas apenas em número de votantes, porque em matéria de maturidade política o que se tem visto sob esta liderança deixa muito a desejar: demagogia barata, ausência de ideias e de projectos e um simplismo hediondo. Afinal de contas, e em muitos casos, tem sido precisamente essa a receita para ganhar eleições.

Apoiado por um PSD à procura de rumo e por uma comunicação social empenhada em ver a "geringonça" em maus lençóis, o CDS viu ainda assim a sua moção de censura chumbada no Parlamento. Há seguramente muito a fazer por parte do Governo, sobretudo aquilo que não foi feito nas décadas anteriores. Porém, responsabilizar este Governo, como se no passado não se tivesse tomado decisões, no âmbito do desempenho de funções governativas, com graves implicações para as florestas ao mesmo tempo que se insiste na importância do Estado - agora - quando se anda uma vida inteira a apregoar o peso excessivo do mesmo, é, para não dizer mais, um exercício de enorme desplante. Mas é precisamente com estes exercícios que esta estirpe de políticos pensa crescer e ganhar nova importância. Infelizmente para eles, o processo de estupidificação em curso ainda não produz os efeitos desejados, por muito que a comunicação social trabalhe nesse sentido. 

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