Avançar para o conteúdo principal

Bernie Sanders

A corrida à Casa Branca é tarefa árdua e Bernie Sanders parte com clara desvantagem: sem apoio de Wall Street e de todos os que têm interesse na manutenção do status quo e marcado ainda por uma comunicação social que o considera marxista (um verdadeiro anátema nos Estados Unidos), resta a Sanders o apoio daqueles que lutam por uma mudança no actual estado de coisas, sendo essa a grande vantagem do candidato democrata - conta com o apoio inequívoco de tantos que se têm manifestado com a ditadura da alta finança.
Apelidado de perigoso radical (comunista) quando na verdade se trata de um social-democrata aos olhos de qualquer europeu, Bernie Sanders tem mostrado ser substancialmente diferente da sua principal adversária no Partido Democrata, Hillary Clinton. Contrariamente à ex-primeira-dama, Sanders está disposto a lutar contra a preponderância de Wall Street, devolvendo a democracia a quem efectivamente ela pertence: ao povo americano. Essa é a principal diferença, a promessa de recuperar aquilo que americanos (e mais recentemente europeus) há muito perderam: o poder do povo, a democracia.
De resto, Sanders tem contribuído para assinalar uma diferença não só comparativamente com o Partido Republicano (infestado pelo “tea party” e, paradoxalmente, por uma espécie de vale tudo para a manutenção do referido status quo), mas no próprio interior do Partido Democrata, obrigando Hillary Clinton - vencedora antecipada - a mudar o seu discurso, aproximando-o das pessoas, sobretudo daqueles que, à semelhança de Sanders, têm lutado contra a ditadura da finança. Todavia, Clinton está demasiado comprometida com essa ditadura, com Wall Street, com os milionários e com os obscenamente multi-milionários.
Apesar dos primeiros resultados serem auspiciosos, dificilmente Bernie Sanders conseguirá vencer a corrida à Casa Branca no seio do Partido Democrata, mas já conseguiu uma vitória: trouxe à luz do dia a vontade de mudança que cresce em muitos americanos, uma mudança que um dia chegará, começando pela recuperação da democracia.



Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...