Avançar para o conteúdo principal

Sair das trevas

Há muito a dizer do trabalho da coligação que sustentou o governo: empobrecimento, aumento das desigualdades, enfraquecimento do Estado Social, excitação desmesurada e doentia com a austeridade, mas o regresso do obscurantismo em todo o seu esplendor merece também discussão. De um modo geral, estes últimos quatro anos e meio foram caracterizados por um inaudito retrocesso na cultura, educação, ensino superior, ciência e tecnologia, comprometendo desta forma quaisquer tentativas no sentido do desenvolvimento do país.
Se das eleições que se avizinham sair um governo de esquerda voltaremos seguramente a sair desse obscurantismo que é sobretudo ideológico. Os programas da esquerda e qualquer perspectiva empírico nos revelam que as artes e humanidades, a cultura, a ciência, tecnologia e inovação são sectores que merecem uma incomensurável importância comparativamente com a direita atávica que nos tem governado.
Deslumbrada com indicadores económicos, assentes tantas vezes em números martelados, a direita de Passos Coelho e Paulo Portas levaram-nos para um obscurantismo asfixiante e comprometedor. Essa mesma direita - a tal que se excita com indicadores económicos trabalhados - esqueceu ou nem sequer consegue percepcionar que esses indicadores económicos só serão verdadeiramente consolidados em contextos onde floresce a cultura, a criatividade, a ciência, a investigação e tudo aquilo que eles quiseram liquidar.

É também isto que está em causa no próximo da 4 - a saída do obscurantismo que é essencial para qualquer ideia de desenvolvimento que nos permitirá voltar a sonhar com um futuro e sair desta espécie de trevas.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...