Avançar para o conteúdo principal

Bodes expiatórios

Depois da derrota colossal, a direcção do PSD, a começar pelo próprio líder do partido e primeiro-ministro, procura justificar o desaire, procurando avidamente bodes expiatórios.
O Tribunal Constitucional tem servido para tudo, sobretudo no que diz respeito a tentativas para disfarçar o indisfarçável falhanço das políticas do Governo. O Tribunal Constitucional continua a ser alvo da mais vil chantagem por parte de um primeiro-ministro determinado em aplicar políticas de cariz neoliberal. Antes das autárquicas foi alvo de chantagem, dois dias depois da realização das eleições, volta a ser pressionado.
Jorge Moreira da Silva, o grande ausente da noite eleitoral é outro alvo de acusações, a par de militantes do PSD que não se candidataram pelo partido.
Com mais um bocadinho de imaginação, atribuir-se-á culpas a extraterrestres, a episódios do paranormal ou a qualquer figura saída de uma história de ficção científica.
Contudo, fica bem claro que a derrota colossal é fruto de um descontentamento crescente, sobretudo nas zonas urbanas e mais populosas.
Estes dirigentes do PSD, coadjuvados por muitos outros seres de alma vazia, estão mais preocupados com a aplicação de uma cartilha ideológica favorecedora do sector financeiro e dos grupos monopolistas do que propriamente com o partido que outrora foi considerado o "catch all party", desprovido de uma ideologia consolidada, adaptando-se antes aos líderes. Hoje esse partido serve para a aplicação das já referidas políticas e é apenas por essa razão que esta gente ainda mostra uma ténue preocupação com o PSD.
Até à consolidação das políticas neoliberais, sacrifiquem-se os bodes expiatórios.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...