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Esvaziamento da classe média

É sabido que a classe média em Portugal nunca teve nem a força, nem tão-pouco o dinamismo da classe média de outros países europeus.
A crise da banca, convenientemente transformada em crise das economias soberanas, e os seus custos são canalizados precisamente para as classes médias - paralelamente ao aumento de impostos para pagar juros, o ataque ao trabalho e ao Estado Social são consequências directas dessa crise que enfraquece as classes médias.
Por outro lado, a pressão que pode inviabilizar o ataque cerrado ao trabalho e ao Estado Social tem sido levado a cabo pela classe média. Por razões mais ou menos distintas, os protestos que se vêm nas ruas de vários países tem como ponto comum a presença em força dessas classe médias.
O enfraquecimento da classe média portuguesa terá consequências também nessa pressão - no caso português particularmente anódina - se não for este segmento da população a exercer uma cidadania mais contundente, quem o fará? Não será seguramente quem ainda tem vindo, de uma forma, ou de outra a lucrar com a voracidade do capitalismo financeiro e com a subsequente crise.
O esvaziamento da classe média compromete indubitavelmente o futuro do país. Seria fundamental que este conjunto de cidadãos, tão fustigados, saíssem deste exasperante estado letárgico em que se encontram.

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