Avançar para o conteúdo principal

Ainda o Brasil

As manifestações em dezenas de cidades brasileiras vão crescendo de dia para dia, sem que o poder político tenha ainda conseguido dar uma resposta, excepção feita em algumas cidades, cujos representantes políticos voltaram atrás no aumento da tarifa dos miseráveis transportes públicos brasileiros.
Porém, o aumento da tarifa foi um pretexto que levou e continua a levar muitos brasileiros para a rua para exigirem o fim da corrupção e a melhoria dos seus serviços públicos, ao mesmo tempo que criticam o investimento faraónico com eventos desportivos.
Aguarda-se uma resposta do poder político. Dilma Rousseff, já procurou mostrar que percebia os manifestantes, mas são precisas acções que mostrem essa mesma compreensão. É essencial que o poder político dê sinais que está disponível para melhorar os serviços públicos, que está disposto a apostar no seu Estado Social, que está disposto a ir contra interesses confortavelmente instalados há demasiado tempo, interesses que se centram invariavelmente na promiscuidade entre poder político e poder económico.
É essencial que que Dilma Rousseff mostre que compreende as razões que levam mais de um milhão de pessoas para a rua e aja em conformidade. Dilma Rousseff tem de mostrar de forma equívoca que está disposta a lutar contra as desigualdades que fizeram escola no país. A melhor forma de o fazer é melhorar substancialmente os serviços públicos, continuando a lutar pela existência de uma classe média forte, contrariando os interesses indissociáveis do capitalismo financeiro, contrariando a corrupção que grasse, inclusivamente no seu próprio partido. Dilma tem de mostrar que está do lado do povo e não desses interesses já referidos; e sobretudo mostrar que ouve o seu povo e que o respeita. Contrariamente ao que se tem visto por aqui.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...