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O passado ficou lá para trás

O passado ficou lá para trás; o passado negro da Europa ficou para trás e jamais regressará. Os tempos são diferentes, esta é apenas mais uma crise que será resolvida de forma inexorável, à maneira alemã.
Por cá, o Governo, depois dos subterfúgios mais ignóbeis, procura agradar a tudo o custo aos seus patrões europeus, designadamente alemães.
De resto, o Governo de Passos Coelho e Vítor Gaspar, atrofiados por uma mentalidade serôdia e pequena, imbuída numa ideologia de trazer por casa na medida em que a sua aplicação se revela repleta de contradições, mostram-se empenhados em agradar sobretudo à Alemanha. Gaspar terá a recompensa óbvia - um lugar de destaque no BCE; Passos Coelho terá outras recompensas e os seus acólitos não ficarão seguramente de fora.
O contexto político na Europa é marcado pelo esquecimento. Esqueceu-se a importância do projecto europeu; esqueceu-se a História da Europa, designadamente a mais recente.
Por outro lado, elogia-se a eficácia, o carácter metódico, quase infalível da economia alemã, características que noutros tempos não tão remotos contribuíram para as páginas mais negras do velho continente.
Por cá, como noutros países europeus, pratica-se o sadismo. Todas as semanas assistimos a exercícios de um sadismo infligido por quem diz governar em função dos interesses dos seus cidadãos, enquanto na tribuna da Europa se aplaude e se instiga.

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