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"Grandolada"

Desde a semana passada têm-se sucedido episódios de manifestantes entoando a música Grândola, Vila Morena de Zeca Afonso. Primeiro na Assembleia da República no momento em que o primeiro-ministro se preparava para falar, depois, por duas vezes, com o ministro Miguel Relvas, e ontem ainda, no momento em que o ministro da Saúde se preparava para falar. Outras intervenções semelhantes estão na calha.
O Expresso Online noticia que "Vítor Gaspar é o próximo alvo da Grandolada".
Ontem vários manifestantes que entoaram a célebre música de Zeca Afonso foram identificados. A que pretexto? Qual o crime?
Há quem considere que esta forma de manifestação esbarra na liberdade de expressão do outro, designadamente de ministros, representantes indirectos do povo. E a discussão resume-se à questão do atropelo da liberdade de expressão de proeminentes membros do Governo como é o caso de Miguel Relvas. Como escrevi ontem, os outros atropelos ficam arredados da discussão. Essa discussão não interessa. O que interessa agora é fazer desses proeminentes membros do Governo vítimas de manifestantes que adoptam comportamentos "antidemocráticos". Como se os atropelos à Constituição, os cortes salariais, os cortes nas pensões, a destruição do Estado Social, a desprotecção dos trabalhadores, os números galopantes do desemprego e a mais inexorável ausência de esperança fossem consonantes com a democracia.
A "Grandolada" vai continuar, apesar das tentativas de anular por completo esta forma de manifestação. Seria interessante perceber qual o crime daqueles dez manifestantes que cantaram uma música, interrompendo o ministro da Saúde. A "Grandolada" vai continuar e ainda bem.

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