Avançar para o conteúdo principal

15 %

15 % de desemprego no mês de Fevereiro. Os números são dramáticos. Não há forma de amenizar esse facto. 15 % de desemprego, números oficiais, que excluem todos aqueles que se encontram numa situação de desemprego, mas por diversas razões, não estão inscritos no centro de emprego.
O Governo, na pessoa de Miguel Relvas, já afirmou ter dificuldades em dormir sabendo desta realidade. De um modo geral o Governo tenta passar a ideia de que estas dificuldades serão ultrapassadas quando equilibrarmos as contas públicas. Não é chamada à colação o facto do desemprego galopante andar de mãos dadas com o neoliberalismo que, por sua vez, faz as delícias do Governo de Passos Coelho.
Entretanto, o Governo e seu séquito vão tentar nos entreter com notícias de esperança reduzida, mas ainda assim de uma pretensa esperança. Notícias que dão conta de melhorias para o ano que vem, notícias que deixam vislumbrar que todos estes sacrifícios são justificados.
É evidente que nesta equação não há lugar para qualquer crítica a um sistema voraz assente na selvajaria, até porque o Governo de Portugal faz parte daqueles que não escondem o quanto adoram chafurdar nessa selvajaria. Outros ainda tentam esconder esse facto.
Os 15 % de desemprego - noutros países como Espanha e Grécia estes números conseguem incrivelmente ser ainda maiores - são o resultado de um sistema que continua a causar devastação na maioria, em benefício de tão poucos. O desemprego é o resultado de crises cada vez mais prolongadas e de um modelo económico que não vê no emprego qualquer vantagem, bem pelo contrário.
Dir-se-á que estamos a passar pelo pior. Seja como for, o facto é que o melhor não mais regressará enquanto este sistema for defendido por tantos que tão pouco beneficiam dele.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...