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Tempos de oportunidade

A crise que piora de dia para dia e que escolhe a dedo as suas vítimas, designadamente os mais frágeis, as classes médias e as pequenas e médias empresas, abre uma oportunidade sem precedentes para a aplicação de políticas que, de outra forma, seriam de difícil implementação. Em Portugal, como em grande parte da Europa, assiste-se à desvalorização do trabalho, em contraponto com a constante desindustrialização e enfraquecimento da produção em geral.
O Governo, coadjuvado pela famigerada Troika, aproveitou a oportunidade para encetar um vasto programa de privatizações que num contexto de crise é aceite sem objecções e até com regozijo de parte da sociedade. Assim como ninguém ou quase ninguém parece preocupado com a destruição do Estado Social, com aumentos nas taxas de saúde algumas quase tão elevadas como no privado, ou com a constante propagação da ideia de que a Saúde é sorvedouro de dinheiros públicos; ou ainda com a vergonha em torno da colocação de professores com longos anos de serviço serem preteridos para outros menos experientes presos à incessante precarização da sua profissão. Com certeza que será assim que se conseguirá melhores resultados no que diz respeito à qualidade de ensino. O Estado Social é despesista; a promiscuidade entre público e privado não é atacada. Os negócios milionários feitos com o dinheiros dos contribuintes, as empresas públicas desprovidas de sentido e de eficiência, a corrupção e o não aproveitamento dos recursos públicos não são atacados. É mais fácil e lucrativo atacar o Estado Social.
A crise é uma oportunidade, infelizmente só para alguns.

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