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A República e o discurso do Presidente

Falou sobretudo de economia. Num discurso diferente daquele que pautou os anos de Sócrates, Cavaco Silva constatou o óbvio e acrescentou a tese do fim das ilusões. Criticou a Europa, fez as suas chamadas de atenção e assim se passou o dia em que se comemorou os 101 anos da implantação da República.
Ficou por dizer que vivemos o expoente máximo dos tempos em que vigora a ditadura dos mercados e que são a democracia e a própria república as primeiras a capitular.
A República, em particular, aquilo que é designado por ética republicana, merece outra consideração por parte de quem é eleito representante dos cidadãos. Com efeito, em Portugal a ética republicana sucumbe a uma cultura de ligeireza com que se olha para a corrupção e à mais do que conhecida falta de eficiência da Justiça.
Por cá, tudo parece permanecer na mesma. Pedem-nos que aguentemos e que façamos sacrifícios para um amanhã melhor que tarda em chegar. Lá fora, irrompem manifestações de desagrado e descontentamento contra o império financeiro e os seus arautos - os mesmos que nós escolhemos para defender os nossos interesses.
O mundo vive um período de grande instabilidade. São cada vez mais aqueles que procuram lutar por uma verdadeira democracia, uma democracia das pessoas e para as pessoas e não este sistema em que se procura salvaguardar os interesses de uma minoria. A ver vamos como é que a Republica portuguesa, com os seus 101 anos, vai passar por todos estes períodos conturbados.

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